domingo, 16 de março de 2008

Essa velha que não morre...


Sai ano, entra ano, ela se esconde, depois volta, mas nunca morre. Aparece quando é menos conveniente, sem o menor motivo para tal. E estraga dias, tardes ou noites que poderiam ser tão agradáveis. Simplesmente ela vem e leva embora as falas, deixa sorrisos sem-graça e frases pipocando na cabeça numa desordem tamanha que impossibilita a saída. Gestos curtos, respostas curtas, silêncios longos. Depois ela deixa pra trás a sensação ruim de que tudo poderia ter sido melhor. O pior é saber que ela nunca vai morrer. Talvez ela se torne mais maleável, talvez possa-se negociar com ela, abrandá-la. Mas ela é difícil, não cede tão fácil =/ Talvez o remédio seja tentar enganá-la. Ou dar uma rasteira nela e deixar que ela pelo menos fique de cama, fraca e doente. Talvez fosse uma forma d'ela aparecer menos.
Só se precisa saber o momento certo de atacar, de antecipar-se à ela... a velha timidez.

sábado, 15 de março de 2008

Manutenção


De uns tempos pra cá este blog anda meio musical... é que a música preenche espaço quando faltam as palavras, e elas têm me faltado bastante ultimamente, então lá vou eu falar um pouquinho da minha vida, já que tb estou sem sono por enquanto...

Esse ano tá sendo bastante agitado, o que é bom. O problema é só aquele velho problema de adaptação: sair de uma zona de conforto e começar coisas novas é algo que sempre me deixa duplamente mexida. Se por um lado me sinto contente e animada com a mudança, por outro lado vem a insegurança, "será que vai dar certo?" "será que vou conseguir?"... perguntas que a gente faz mas já sabendo que só o tempo é que vai responder.

Mas uma das coisas que anima é que em meio a tantas sensações, inseguranças e medos, há momentos que são como oásis, pessoas ou fatos que durante alguns instantes nos proporcionam alegria, sei lá, faz a gente acreditar que as coisas estão/serão menos difíceis do que parecem.

Não sei como terminar esse post. Acho que agora o sono tá chegando. Bom, vou procurar me dedicar melhor a este blog, coitado. Mas por enquanto vou ficar só nisso por hoje.

(Embora o post seja curto, na verdade levei muitos minutos entre a tela de edição de postagem e outras janelas da internet e do msn... enfim, coisas que se faz quando se está sem sono e na frente do computador... :P)

PS: O título do post talvez não tenha mesmo sentido. =)

sábado, 1 de março de 2008

Flor de capim


Toda vez que avistava uma daquelas flores amarelas de pétalas finas – até quase feias, se comparadas a outras flores – sentia saudades de sua infância. Naquele dia dirigia-se ao trabalho, era uma manhã cinza quando de dentro do ônibus viu no chão do parque algumas daquelas flores tão simples, tão amarelas, que dentre o verde do capim reluziam lembranças tão pueris. Recordava de quando, junto às outras crianças, colhia pequenos maços das tais flores entre uma e outra pausa nas brincadeiras de correr. Naquele tempo os dias passavam em outro ritmo e o contato com flores, capins, tatuzinhos e pequenos caracóis de jardim faziam parte da rotina. Lembrava-se de como era boa a sensação de não ter preocupação, a não ser a de como aproveitar o tempo de lazer da forma mais proveitosa (embora esta sensação não fosse de fato sentida, já que crianças nem pensam sobre isso).

Mas todas essas pensações haviam durado apenas poucos minutos, que foi o tempo em que o ônibus encontrava-se parado pelo sinal vermelho, no caminho de casa para a estação de trem, onde disputaria um lugar num vagão até seu destino, até sua rotina adulta, até seu trabalho. E as lembranças trazidas pela flor de capim eram agora substituídas pelas imagens do futuro que os trilhos do trem a faziam imaginar enquanto aguardava na estação.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ferreira Gullar - Verão

Homenagem ao final de fevereiro =D

Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração

deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar

A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida

Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer,

E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.

O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida

Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.

E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda agoniza
resiste mordendo o chão.

Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
É essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.

Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Rebelion (Lies) - The Arcade Fire

.

Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.

People say that you’ll die
faster than without water.
But we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.

People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live our misbehavior.

Every time you close your eyes
Lies, Lies!

People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.

Come on hide your lovers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

Hidin’ from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

People say that you’ll die
faster than without water,
but we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.

Scare your son, scare your daughter.

Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon it’s alright (Lies!)

But every time you close your eyes. (Lies!)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sessão auto-ajuda: Superação


A vida é cheia de desafios, isso é fato. E as pessoas se dividem basicamente entre aquelas que conseguem superar estes desafios e as que não conseguem. Dentre as que conseguem superar há aquelas que têm "sorte" e aquelas que se esforçam.

Dentre as que não conseguem, há aquelas que tentam e há aquelas que desistem. As que desistem se subdividem entre as que têm medo e as que têm preguiça.

As que têm medo podem tê-lo devido a experiências anteriores negativas ou podem tê-lo sem fundamento. Estas que têm medos sem fundamentos sofrem por algo que simplesmente nem sabem se existe. Com o medo não conseguem se esforçar para tentar superar desafios. E tendem a se tornarem pessoas apáticas.

A apatia é pior que a tristeza, porque uma pessoa apática sequer se entristece. Não se entristece, não se alegra. Não fala, não pensa direito. Não coloca planos em prática, aliás, muitas vezes nem faz planos.

A pessoa apática e com medos sem fundamentos precisa buscar dentro de si mesma forças para se levantar. Mas ninguém se torna uma pessoa apática por vontade, por isso, a vontade também não é tão eficiente no processo reverso. Ainda assim, muito se fala sobre a força de vontade, a força do pensamento, das palavras...

Os livros de auto-ajuda são vendidos aos milhões. No entanto, são detestados (ou pelo menos não são apreciados) por muita gente (eu me incluo nisso). Por quê? Acredito que seja porque eles dizem coisas óbvias e redundantes demais. Mas aí é que está: os livros de auto-ajuda vendem muito, isso é incontestável. Logo, isto se deve ao fato de que aquelas pessoas com medos infundados, as pessoas apáticas, não são capazes de enxergar coisas óbvias! Por isso várias destas pessoas recorrem à ajuda destes livros, para verem algo que não conseguem enxergar sozinhas.

Eu não sou psicóloga. Mas sou uma pessoa com medos infundados, por isso me propus escrever sobre isso. Felizmente acredito que ainda não tenha chegado ao extremo da apatia e pretendo não precisar recorrer aos tais livros (nem a psicólogos)... Tudo isso que escrevi não passa de pensamentos soltos de uma pessoa meio às voltas com a realidade que está vivendo, uma fase de mudanças e de grandes desafios.

Pretendo deixar de estar no grupo das pessoas que desistem por medo e passar para o grupo das que se esforçam. E pra isso vou procurar usar a auto-ajuda no sentido mais estrito da palavra: aquela ajuda que vem de dentro da gente mesmo, sem precisar recorrer a ajuda externa. É nessa força que eu acredito: a da superação.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

20 de fevereiro



Leve como leve pluma
Muito leve, leve pousa
Muito leve, leve pousa

Ah, simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma

Sombra silêncio ou espuma
Nuvem azul
Que arrefece

Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Que em mim amadurece

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

pOVO - De Renata Martins

A gente se sente como uma pesca viva amassada dentro de uma condução, seja ela ônibus, metrô ou mesmo lotação.

Dizem que a gente se acostuma. Não acho, não creio que a gente se acostume. Acho que... é, acho que a gente realmente se acostuma, sinto que nós nos calamos, engolimos a seco como a farinha do almoço, o silêncio sem sucesso que corta a garganta na ânsia de se libertar.

A gente se sente palhaço, acreditando há anos nas promessas dos governantes, nos descontos dos feirantes, nas doze vezes sem juros, no aumento de salário há muito esperado, na promoção sonhada, com o sapo encantado, com o muito obrigado. A gente nem precisa de espelho para ver que o nariz continua cada vez mais vermelho. No andar apressado, vejo que não existe somente um palhaço.

A gente se sente tão só neste mundão lotado, parece que nossas idéias, nossos ideais são somente brilhantes para nós mesmos, parece que somente o nosso sol nasce à leste, parece que somos todos surdos, mudos, cegos. Se não somos, fazemos questão de tapar os ouvidos, a boca e os olhos e nos fingimos de rocha sem sentimentos, apenas com sedimentos, sem sentidos, sem...

Não choramos mais, não notamos mais as perdas, vivemos em bandos isolados preocupados somente com o nosso próprio bem estar, nos tornamos criaturas unitárias, unilaterais, unicoração, unipensamentos, unisentimentos.

A gente vive à noite e dorme de dia, vive o dia e não dorme à noite, perde a noção do tempo, nos bares a noite ganha sentido, corremos sem direção, falamos mas não indagamos, não perguntamos mais porquê.

Não sonhamos tão mais, não acreditamos mais, não sorrimos mais, não agradecemos mais, não sentimos mais, brigamos com nós mesmos, não libertamos nosso coração, brigamos com a vontade e sobrepomos à ela a verdade. Porém a verdade da conveniência, a verdade que a sociedade acredita ser verdade. Nossos sonhos não acordaram ainda, não somos... nunca fomos ou fomos? Fomos.

Porém, o que um dia fomos se foi e não conseguimos colocar nada no lugar. Nos tornamos massa sem peso, somos garrafas sem líquido, somos a continuação do teclado, somos peça que tem uma certa vida no carro, somos o carro.

Nos tornamos a sociedade que Gepeto desenhou, nosso nariz não pára de crescer, mentimos para este, mentimos para aquele, mentimos todos os dias para nós mesmos... Ah... mentimos para nós mesmos...

Nos maltratamos, nos sufocamos, nos mutilamos a cada dia. Somos juízes dos outros, somos o dedo que em riste acusa. Somos a semente que não vingou, somos a gema do ovo que não nasceu.
Mas éramos o grito dos injustiçados, tínhamos sonhos, tínhamos propósitos, éramos a lágrima que caía dos olhos de um irmão torturado, éramos o sonho da revolução, éramos a república instaurada, éramos o direito adquirido, éramos a passeata, a greve generalizada, éramos a indignação, éramos o não, éramos a CLT, éramos as Diretas Já, éramos a vitória de setenta, éramos o fim da ditadura, éramos a Tropicália, éramos o Cinema Novo, éramos a Semana de Arte Moderna, éramos a Bossa Nova, éramos... éramos?

Éramos a História que hoje é contada, éramos o povo. Agora não somos mais, não mais...


Renata Martins é uma pessoa fantástica que infelizmente não vejo há um tempão... Ela faz faculdade de cinema e escreve textos muito bons como este.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Importante-banal

Exercia função importante: era guardião de um bem precioso. Protegia de intempéries que com freqüência tentavam alcançar e prejudicar este bem. Como era guardião, seu local de trabalho era o lado de fora. Assim, permanecia sempre ali em seu lugar. Ao lado de seus colegas de função desempenhava louvável trabalho. Se não se pudesse dizer que eram imbatíveis, ao menos eram esmerados. Vento e poeira eram barrados com eficácia.

Porém, como é passível de ocorrer com qualquer equipe de trabalhadores dedicados, alguma vez algum deles cansava-se e curvava-se, perdendo assim seu posto e automaticamente sendo desligado de suas funções. Outras vezes algum outro, por curiosidade, voltava-se para dentro a fim de ver como era, a despeito dos demais colegas, sempre firmes em posição de guarda. Em raras vezes algum outro era tão ousado que chegava a de fato invadir o lado de dentro (!), causando enorme desconforto àquele a quem guardavam, tendo que ser retirado à força, por meio de intervenção externa.

Mas casos isolados, como estes, não desabonam esta equipe que, desde há muitos milhares de anos trabalham em prol da proteção. São chamados de cílios oculares.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pitada de surrealismo


Gato listrado com sabão roxo. Caiu no plaftplum forrado de lemistomantes tomates azuis que cantarolavam pesados teares de espuma de sabão. Na noite clara e nevada do verão xadrez que veste um colossal televisor prateado com sonoros azeites de caramelo azedo. Espalhou-se sobre a calma da senhora verde com quadros alegres sob os pés de mãos. Nada tinha a dever aquela imagem aos sonhos irreais que irrefreados pulavam das teclas de seu computador de plástico. Como fosse o gato um gato que latia, só poderia ser ele listrado. Fosse xadrez seria um gato que urra. E estes não andavam com sabões roxos. A senhora miava que não podia ser verdade. Que nada havia com nome lemistomante, mas plaftplum havia. Sumiu no ar como nuvem que explode. Era verde porque miava. Se uivasse seria vermelha. O gato entrou no muro de barro que tinha uma cauda de pavão de bolinhas. Sumiu listrado dentro do muro com o sabão roxo. Foram inventados numa folha sem cor, sem pauta, sem mãos e sem portas. Foram inventados e exterminados, como coisa que se escreve e depois desmancha.

Quadro do espanhol José Manuel Merello, que faz arte expressionista e surrealista em belíssimos quadros.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Alguém é melhor?

Tenho escutado bastante a música "Eu sou melhor que você", do Banzé. Fala sobre o quanto algumas pessoas são tão pequenas quando se acham maiores do que são... Que muitas vezes as pessoas fazem imagens de si que não são verdadeiras. Que muitas vezes as pessoas se acham mais do que realmente são... Que se acham mais importantes, que se acham melhores que as outras. Mas no final, o que estão fazendo é pedindo atenção. Achando-se melhores, mais importantes, estão pedindo "olhem pra mim, por favor, vejam, eu tenho qualidades".
Triste saber que por trás de uma exuberante mulher ou de um homem bonitão estão pessoas sozinhas, seres humanos normais e comuns, que como todos precisam ter outras pessoas por perto e, talvez inconscientemente ou não, apelam pro orgulho e sobem num pedestal imaginário, exigindo reverência ou pelo menos querendo ser referência.
Eu penso que ninguém é melhor que ninguém, todo mundo tem suas qualidades e seus defeitos. Seria um saco se houvesse pessoas perfeitas. Ainda bem que não há.

"Eu sou melhor do que você... mas por favor, fique comigo, que eu não tenho mais ninguém"
Bom, melhor do que eu ficar falando, prefiro que vc escute a música e dê sua opinião ;)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Sem lugar


Cheguei na porta de um mundo que não é o meu. Ameacei entrar, achei mesmo que fosse fácil, que houvesse um corredor que ligasse o meu mundo a este outro, mas não há, pelo menos não está visível. Algo me impede, porém, de voltar pra casa. É como se de alguma forma eu não coubesse mais naquele lugar de onde vim. Mas ainda não pertenço a este novo lugar. Então começo a rever o caminho percorrido, tentando encontrar alguma explicação. Percebo que andei na contramão de coisas que eu mesma acreditava serem reais. Coisas que pareciam ser a solução de um monte de problemas... na verdade elas não resolvem todos os problemas. Elas me fazem pensar em outros tipos de problemas e quem sabe, em problemas muito maiores. O fato é que não dá mais pra voltar para o mundo de onde vim. Não seria bem vista por lá... mas ainda não sou bem vista neste, também. Sou simplesmente uma mutante, cheia de diferenças tanto lá, quanto aqui.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Indicação =)


Nossa, tô emocionada!! Acabei de ir visitar o blog da Jéssica, o Devaneios Bobos e me surpreendi ao ver o "Defenestrações" indicado para o selo Blog Cabeça... êÊeeee!!! Na verdade não acho que o Defenestrações seja um blog cabeça :P, então além de emocionada fiquei meio sem jeito também...rs mas já que a Jéssica (que escreve muito bem, por sinal) tá dizendo...hehehe

"É gostoso ler os textos da Paula! Tão bem feitos, tão cheios de significados, e como todo bom autor, ela aguça a imaginação do leitor (a rima não foi proposital!)"


Então meus cinco indicados são os seguintes:

Clube do Camba, da Mari
Confessionário, do César
Espada do Templário, do Otávio
Mundo de Dentro, da Melissa
Nasci na época errada, da Gisele

Estes com certeza são blogs-cabeça!

Obrigada, Jéssica!!
=)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

ai... ui...



Não sei de onde veio esse golpe que me acertou bem no estômago. No coração ficaria muito piegas, mas na verdade foi lá no coração mesmo que me acertou. E na verdade eu sei de onde veio. Veio de um vazio que foi preenchido por ilusão. E foi um golpe certeiro mesmo. Daqueles que a gente se sente zonzo, sem rumo. Mas depois a dor passa. Passa só que a gente não esquece. Mas a lembrança do golpe faz a gente ver as imagens em câmera lenta, e percebemos que só fomos atingidos pelo golpe porque demos brecha em algum momento. E é esse momento que identificamos, depois de um tempo. Assim, conseguimos nos prevenir numa próxima ocasião em que venha um outro golpe. E virá.

Esquivar ou revidar, eis duas alternativas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Refresh

Tarde da noite, cansado de trabalhar, parou por um momento. Estava sentado diante de seu companheiro eletrônico – o computador – e pensou em voz alta “ah, se a vida fosse tão simples quanto ele... Daria refresh, delete, enter, print screen conforme fosse necessário... em casos extremos, até um format!”

De repente percebeu um zumbido. A janela de madeira de seu quarto estava entreaberta. Era noite de outono, mas fazia calor. Foi quando junto com um vento moderado, entrou um ser voador de tamanho muito pequeno, não sendo possível à primeira vista diferenciá-lo de um mosquito. Minutos depois de observar aquele ser que havia pousado vagarosamente sobre a mesa, é que percebeu que se tratava não de um mosquito, mas de um homenzinho! Não tinha mais do que um centímetro, mas isso não implicava falta de elegância no vestir-se: usava terno, gravata, sapatos lustrados e um chapéu, desses do tipo cartola, e era muito simpático, embora toda aquela roupa lhe conferisse um certo ar grave.

Atônito, a princípio olhava com cara de interrogação para aquele homenzinho, que permanecia parado, ereto à sua frente sobre a mesa. Passados alguns segundos de completo silêncio, ele perguntou ao pequeno:

— Quem é você? O que faz aqui?
— Ora, então não foi você quem desejou que a vida fosse como no computador?
— Oh, sim, claro! Eu disse isso, mas quem me dera se a cada desejo meu aparecesse alguém para realizá-los... Certamente eu não estaria aqui trabalhando noites à dentro.
— Entendo, filho. No entanto não posso te ajudar com relação aos demais desejos, sejam eles quais sejam. Meu departamento é realizar os sonhos cibernéticos. E sabe, já estou um tanto cansado dessa vida, e se não se importar, gostaria que fôssemos logo ao ponto. Então você quer que sua vida se transforme num sistema computacional não é, então vamos lá. Mantenha-se em pé, por favor. Agora vou...
— Ei calma! Você seja lá quem ou o que for, não pode estar falando sério! Isso tudo não pode ser sério! – o rapaz estava realmente espantado com aquela situação.
— Você está certo, meu jovem. Permita que me apresente. Sou Morpheu.
— Hahahaha... você está brincando comigo. Morpheu!
— Sim, sei o que deve estar pensando. Matrix. E até concordo com seu espanto. A verdade é que quem aparece primeiro sempre recebe as vantagens do reconhecimento. Mas você acha mesmo que os irmãos Wachowski seriam tão fantásticos a ponto de inventarem inclusive este nome? Exatamente. Foi em mim que se inspiraram. Deixe-me ser breve em contar minha história: sou o deus dos sonhos, filho de Hipnos, deus do sono. Sempre que alguém deseja algo com força, eu apareço para realizá-los. Só que vocês humanos pedem coisas demais! Portanto há poucos séculos meu pai achou por bem me dar alguns irmãos e a cada um de nós estabeleceu jurisdições próprias para realizações de desejos. Há uma década tornei-me responsável pelos sonhos relacionados ao mundo cibernético. Portanto, realizarei o desejo que o senhor, jovem rapaz, acabou de proferir antes que eu me adentrasse ao seu quarto.
— Hahaha... inacreditável. E engraçado. Bom, já que está aqui vamos ver o que é isso!
— O-bri-ga-do. – ele apresentava um tom meio rabugento nesta frase, como quem não precisasse agradecer por algo que já lhe era de direito. – Agora passemos ao que é de interesse, afinal ainda tenho muitos outros afazeres.

O rapaz não podia acreditar no que ouvia e via. Mas aquilo tudo estava acontecendo de fato, ali diante dos seus olhos, tudo o que tinha a fazer era aproveitar aquele momento. Então logo se acostumou à idéia e já se via ansioso por dar os devidos deletes, refreshs, enters e demais comandos que tão úteis lhe pareceriam...

— Ó forças ocultas! Atendei através de mim, ao pedido deste homem! Alacazam!
— Ué, então é só isso?! “Alacazam”?
— Sim, filho. Simples assim, mas não é para todos. Como disse, sou o deus dos sonhos.
— Está certo... Vamos ver se isto funciona mesmo... vou dar um ctrl+f para encontrar o outro par do meu tênis, que sumiu aqui dentro do meu quarto!

E em frações de segundo, lá estava o par de tênis. E o rapaz, encantado com aquilo, não tinha palavras para dizer o que sentia, tamanha era sua satisfação. O homenzinho, vendo que o jovem já estava satisfeito, partiu pela mesma janela pela qual havia entrado e o rapaz nem percebeu sua saída.

Então começou a pensar no próximo passo que daria, agora que tinha “super-poderes”. Claro!! Daria o refresh, o comando com o qual tanto havia sonhado. Em frações de segundo sua vida estaria completamente atualizada de acordo com seus planos. Nada de chateações nem perturbações. Sua vida em nova versão. E foi então que...
...Acordou com sua mãe batendo à porta de seu quarto... era seu chefe ao telefone informando que o cliente havia reduzido o prazo. Claro, onde mais além de nos sonhos criaturas minúsculas entrariam por janelas e realizariam sonhos impossíveis? Morpheu... pfff

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Madrugada

Texto antigo, mas eu gosto dele.



Madrugada é boa para escritores, para músicos, para casais apaixonados
Madrugada é boa para cansados, para sozinhos e para acompanhados
Madrugada é boa para vizinhos beneficiados com a lei do silêncio
Madrugada é muito boa para amantes de casas noturnas (e para os donos das casas noturnas)
Madrugada é para muitos turno de trabalho pesado! Enquanto muitos dormem muitos outros trabalham...
Madrugada é dia ainda com cara de noite
Madrugada é chegada de um novo amanhecer
Madrugada é alvorecer, é renascer
Madrugada
Madrugada
Santa Madrugada!

domingo, 6 de janeiro de 2008

Fora, desânimo! Venha, Bowie! hahaha

Tô aqui em casa, agora, 00:30, pensando na vida. Na frente do PC, com preguiça de ir dormir. Triste com o triste desenrolar desta semana, achando ou pensando que o ano inteiro vai ser assim... De repente me ocorreu que EU É QUE FAÇO A MINHA VIDA. Não é ela que é boa ou ruim, ou melhor, se ela é boa ou ruim, é culpa ou mérito meu. É, vc pode achar óbvio, mas eu não enxergava desse jeito. 2007 teve coisa chata, bastante coisa chata. Saí do emprego (por opção, é verdade, mas até hoje ainda estou sem trabalhar); me iludi por um cara que não tava nem aí pra mim; fui mal no semestre da faculdade e 2008 começou comigo imersa numa grande apatia. E me vi agora, há poucos minutos perguntando e maldizendo o destino... “ó céus, ó vida, ó az*r”. Mudei a música q estava escutando. Tirei o Keane e coloquei o David Bowie, Modern Love (adoro!), nem tanto pela letra, mais pela música mesmo, pela melodia. E não sei de onde tirei, mas em questão de segundos me vi animada! Com fôlego novo. Saí do emprego? Arrumo outro! O cara me deu fora? Eu supero! Fui mal no semestre da faculdade? Tá em tempo de recuperar! Meu cabelo tá um lixo? Dá pra arrumar! Tô com o sono zuado? Daqui a pouco vou ir dormir! [E até quase tive uma gata de estimação pra adotar, que apareceu na porta da minha casa, mas tadinha, devia ter se acidentado e não viveu por muito tempo... =´(]
Pra tudo há solução. Bom, algumas não são tão simples, eu sei. Mas não tô afim de perder esse otimismo não. Vou fazer esforço pra me manter assim ao longo da semana, do mês e da vida. Sei que vai ter momentos de recaída... o bode pode aparecer às vezes. Mas eu estou me comprometendo COMIGO a partir de hoje. E é isso aí!!

Bjomeliga!



P.S.: Corro o risco de daqui poucos dias (ou minutos) me arrepender de postar isso... e até achar ridículo... É, eu sou realmente uma pessoa meio “depressiva” ou incrédula de mim mesma. Mas vou deixar esse post aqui, pra eu sempre me lembrar que pelo menos por alguns momentos me senti otimista de verdade.

“But I try, I try...”

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O primeiro dia do ano...



Hoje é o primeiro dia do ano. 2008. Ano bissexto. Ano par. Ano novo. No meu primeiro dia do ano não teve manhã. Acordei às 12:30. Não almocei, acho que a ceia de ontem ainda está no meu estômago (!!). Ventilador na potência máxima, sofá irresistível, programação da tv inaceitável, mas na falta de coragem para fazer qualquer coisa, tá valendo (até o sono já foi esgotado). As únicas pessoas que vi hoje foram meu pai e minha mãe... Há alguns minutos entrei na internet pra ver se me distraio um pouco, já que não consegui continuar lendo o livro que comecei há uma semana (impressionante como o calor me tira a vontade de pensar). E todo otimismo que eu parecia ter ontem, hoje deve ter ficado lá no travesseiro.

Bode gigante, começo a ouvir a trilha sonora do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Nesse momento exato, ouço La Valse D'Amélie (Versão em piano). É uma belíssima música. Mas não é das mais animadoras... mesmo assim continuo escutando, porque me faz pensar (ao contrário do calor, que insiste em me fazer não pensar). Aí penso nesse ano que tá começando hoje. E penso nas coisas do ano passado que ainda não terminaram, como o semestre da faculdade. Tenho trabalhos pra entregar esse mês, como reposição pela greve de 2007. E começo a pensar que preciso começar a trabalhar, o estágio que eu acreditava certo até o momento não iniciou (maldita burocracia!). Mas como não sou muito de planejar, opto por evitar pensar muito em coisas à longo prazo. Mas mantive a música, o som do piano me tranqüiliza, de alguma forma. Eu não sei dizer como estou me sentindo hoje. Acho que não estou nem bem nem mal. Por isso acho melhor finalizar este post. O primeiro dia do ano ainda não terminou, mas acho que não vai mudar muito em relação ao que tem sido até agora: eu aqui em casa sozinha (meus pais foram à casa de uns amigos) ouvindo música instrumental (talvez comece a ouvir uns rocks \o/), na frente do pc (não por muito tempo, maldito calor!), com um humor não muito agradável (ainda bem que não vi muitas pessoas hoje né...rs).

É, esse primeiro dia do ano tá sendo pra mim meio... soturno. Que ele não seja exemplo para os outros 365 dias! (Este terá 366, já que é bissexto)

E meu dia prossegue...

Tomara que aconteça uma mágica e que meu dia mude. Se isso acontecer, eu conto aqui sobre como me tornei crente na arte do pensamento positivo.