terça-feira, 27 de maio de 2008

Ismália



Quando Ismália enlouqueceu
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimaraens (1870 - 1921)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

São Paulo


São Paulo é essa cidade de horizonte incerto, de céu cinza, de concreto.
Esse lugar onde há tanta gente e ao mesmo tempo tanta solidão.
Onde sempre existe algo que seja compatível com qualquer: religião, time, idade, orientação sexual, interesse, classe social; e onde apesar disso, as diferenças gritam.
Onde grandes oportunidades se esbarram com grandes furadas.
Onde se compra gato por lebre.
Esse lugar onde as pessoas são tão diferentes quanto iguais.
Onde tudo acontece ao mesmo tempo.
Onde há uma chance de rir e de chorar nas mesmas esquinas.
Onde tudo o que se vê pode não ser alcançável.
Essa cidade onde o céu da noite é triste, com suas estrelas apagadas pela fumaça.
Onde as pessoas se olham, mas nem sempre se vêem.
Essa cidade com milhões de possibilidades, com milhões de destinos, com milhões de pessoas que se deslocam dia e noite, do trabalho para casa e vice-versa.
Essa cidade onde o belo dá as mãos ao feio.
Onde o encantamento dos prédios antigos mistura-se aos espelhos dos novos.
Onde moradores não vivem porque moram na rua.
Onde cada carro abriga um ser individual.
Onde em consultórios psiquiátricos, a angústia é compartilhada em silêncio ou em poucas palavras.
Essa cidade que recebe chegantes de todo o mundo.
Essa cidade que engole as menores, que conurba.
Esse lugar que atrai ao mesmo tempo em que repele, que encanta e que assusta.
Esse lugar que canta, que dança e que joga.
Esse lugar onde tudo pode não ser o que parece, onde o bom pode ser ruim, onde o divertido pode ser enfadonho.
Essa cidade de contrastes e de uniformes. De patrões, de gerentes, de operários, de profissionais liberais, de desempregados e de tudo o mais.
Essa cidade que sofre de insônia crônica, mas que ainda descansa em alguns feriados.
Essa cidade onde seus moradores revezam-se entre amá-la e odiá-la, dependendo de como estão o trânsito, a noite, o ar, os parques, o humor...
Essa cidade onde tudo se encontra, e muita coisa se perde.
Onde nascem e morrem paixões, onde se vivem decepções, onde se alimentam esperanças.
Essa cidade que é palco e platéia, que é protagonista e figurante, que é diretor e contra-regra.
Essa cidade onde há tudo e há nada.
Onde tudo é provável. Onde tudo é possível.
São Paulo é essa cidade, onde embora eu não durma, eu vivo.

E para vc, o que é São Paulo?
Pintura de Tarsila do Amaral

sábado, 10 de maio de 2008

23:20 p.m.

planta sem água. chuveiro frio. balde vazando. torneira pingando. margarina sem sal. doce com recheio azedo. pão velho. calendário do ano passado. meia rasgada. sola gasta. cabelo armado. guarda-chuva quebrado. humor ruim. fita mal gravada. óculos embaçado. vidro trincado. ônibus errado. computador desconectado. teclado desconfigurado. impressora sem tinta. jornal amassado. caderno manchado. livro atrasado. notícia desinteressante. cachorro-quente sem salsicha. bolo solado. pneu furado. mochila com zíper emperrado. sono atrasado. prazo estourado. tudo errado.

domingo, 4 de maio de 2008

Vida


Existe algo que me atordoa, mas não sei direito o que é.

Tem a ver com o ar que se respira; com o trem que lota; com a chuva que alaga; com as pessoas que passam e vão; com as catracas, bilhetes e placas; com carros na contramão; com piadas de mau gosto; com restaurante sem tempero; com almoço de domingo, família, tevê, macarrão, passeio...; tem a ver com o que eu quero dizer mas não sei como; com o silêncio que alardeia; com a indiferença que maltrata; com a resposta que não chega; com a carta extraviada. Tem a ver com o que não cabe nas mãos; com o que esvazia o coração; com o que não faz falta e o que tem precisão.

Tem a ver com a vida e todas as perguntas das quais ainda não sei a resposta (provavelmente jamais saberei). Tem a ver com você que lê isto enquanto imagina se tudo isso faz sentido. Tem a ver comigo, com meus pais, minha irmã, meus amigos. Tem a ver com um deus que existe, mas não para todos e não com o mesmo nome. Tem a ver com o mundo doente e com a natureza cansada. Tem a ver com a paz sonhada, com a violência mascarada e descarada.

O que me acomete talvez seja a perplexidade em relação à Vida e sua louca forma de se descortinar, sua forma de estar calada enquanto tudo explode, enquanto tudo acontece ao mesmo tempo. E sua capacidade de seguir indiferentemente, apesar de tantos impedimentos ou percalços. A Vida e sua mágica fazem-me de vez em quando imaginar o quão importante deve ser cada uma das medíocres vidas que pela Vida passam...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Um conto urbano sem final

Sentava-se sozinho num dos bancos da praça próxima à sua casa. Costumava passar muitos minutos e às vezes até horas ali, sozinho. Olhava os transeuntes, mas não os via completamente. Buscava a si mesmo. Tentava saber onde havia ido parar a parte de si que o faria não mais sentir a necessidade de estar sempre só. Uma necessidade como que obrigatória, se é possível entender. No fundo não queria a solidão, mas necessitava dela. A solidão de certa forma o resguardava da responsabilidade de ser companhia.

Uma tarde uma pessoa sentou-se ao seu lado, no banco da praça – era sempre o mesmo banco. Comentava sobre notícias, dizia uma série de coisas, contava-lhe de algumas aflições e tristezas, porém ele sequer fazia comentários em resposta: apenas olhava em alguns momentos, enquanto pensava no porquê desta pessoa ter escolhido a ele para se lamentar sobre as agruras de sua vida, como se sentisse incomodado por lhe terem roubado o silêncio e a solidão.

Até que esta pessoa parou de falar. A cena pareceria um retrato, tamanha estaticização de ambos a olhar para frente, um ao lado do outro. Mas na praça tudo se movia calmamente, sem mostrar haver importância se um ou outro daqueles dois estava ou não ali. No instante seguinte, o olhar que era paralelo tornou-se perpendicular. Incomodado, repeliu o olhar, que se voltou para frente outra vez.

O que unia estas duas pessoas naquele banco era o fato de que ambos tinham modos diferentes de lidar com a mesma aflição: a de estar no mundo e não se sentir parte dele. Um sentia medo, o outro também. Um tentava adaptar-se, outro tentava esquivar-se. E à medida que os minutos foram passando, como que por telepatia um havia compreendido o que havia com o outro, mas ninguém dissera nada a respeito.

A mútua companhia silenciosa daqueles últimos minutos o havia feito perceber que, no fundo, aquele de si a quem procurava nunca havia ido a lugar algum, sempre estivera ali. Porém ele mesmo o mantivera guardado, como senhores que guardam os óculos no bolso e esquecem onde os deixaram.

E agora já não sabiam mais o que fazer.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Poeminha descontraído :)

















Se Felicidade fosse algo de pegar
Seria como um bichinho que foge,
Que ao ver a mão do homem
Corre o máximo que pode

Mas o homem, caçador que sempre foi
Pela fuga dela não se deixaria vencer
Moveria o que preciso fosse
P’ra a Felicidade a ele se render

Para ele não bastaria o contentamento
Nem tampouco a satisfação
Quer sempre ter os bolsos cheios
E também o coração

E de armadilha em armadilha
E de caminho em caminho
Correria o homem – incansável
Sempre atrás desse bichinho

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Pergunto...


...se não seriam todos os acontecimentos calmamente planejados por alguém cujo senso de humor e criatividade são extremamente peculiares. Alguém que se diverte ao ver de uma posição favorável tudo o que aqui embaixo acontece. E, brincando de enganar a si próprio, just for fun aposta no desfecho dos episódios, mesmo já sabendo os seus finais. Aposta com os teimosos de cá que, diante de alguns sinais de que é melhor ir por outro caminho, vão pelo que haviam escolhido, senhores de si. Perdem a aposta, claro. E aquele que já sabia de tudo, mostra quem é o dono do jogo. Ironicamente alguns dos teimosos passam a prestar mais atenção aos tais sinais, mas como são teimosos e também menos sabidos, terminam sempre caindo nas peças que prega aquele que é de todos, sempre o mais sabido.

domingo, 13 de abril de 2008

Celular 1 x 0 Paula


Quem me conhece sabe do meu minúsculo apreço (para usar um eufemismo) pelos celulares. Evitei o máximo que pude, até que no último Natal, fui presenteada com um. Por sorte, um modelo bastante simples: faz e recebe ligações, tem calendário, relógio e despertador. Não baixa mp3, não toca música, não tira foto, nem tem o tal de bluetooth... é apenas um telefone celular =)

Eis que passo a me valer dele para acordar diariamente nas horas certas pra poder fazer as coisas no horário: eu programo, ele desperta, eu levanto. Perfeito. No entanto, deparei-me com uma “nova” função: o modo silencioso. Para mim, que tudo relacionado a celular é novidade, parecia ser uma boa essa de usar o modo silencioso. Assim, caso alguém me ligasse durante o trabalho ou a aula, não haveria interrupções por musiquinhas nem por barulhinhos de vibração – o famoso “grzzzz grzzzz” =

Mas a minha satisfação terminou certo dia quando eu descobri, quarenta minutos atrasada, que quando coloco no tal modo silencioso, O DESPERTADOR TAMBÉM FICA SILENCIOSO. Poxa, tudo bem que eu fui ingênua, mas gente, qual a função de um despertador silencioso?? Nada é tão contraditório! Será que alguém usa o despertador silencioso? O pior foi a raiva em ver o negócio “apitando” mudo e “dizendo”: “Despertador” e ainda dando as opções “soneca” e “sair”... Faça-me um favor né...! ¬¬

Bom, depois de correr e sair de casa em jejum e ainda assim chegar atrasada (afinal nenhum atraso é capaz de impedir o querido banho), cheguei a conclusão que realmente celular é uma coisa do mal, à qual eu (ainda) sou avessa. Mas como tudo (ou quase) nessa vida é também uma questão de adaptação (até as coisas das quais não gostamos muito, mas que em certas ocasiões são necessárias – como é o caso do celular-despertador, para mim, totalmente necessário) ao menos esta lição eu já aprendi: modo silencioso, não!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

I need inspiration too...

Eu preciso de inspiração para manter esse blog. Também preciso de inspiração para pensar no meu trabalho de conclusão da graduação. Seria bom se viesse inspiração também para resolver algumas pendências da vida. E seria ótimo se a gente pudesse encontrar inspiração nas prateleiras da farmácia ou do supermercado =/

A que se pode atribuir inspiração? De onde ela vem? Não sei, mas ela vem sempre sem avisar. Às vezes dentro do trem, ou no meio da rua... Às vezes vem na hora em que estamos quase pegando no sono, com a cabeça deitada no travesseiro, naquela hora em que todos os pensamentos parecem tentar nos impedir de dormir... E às vezes ela não vem, simplesmente.

Eu preciso de inspiração.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Era-se

Era uma tremedeira, era uma sede.
Era um caminhar apressado, uma curiosidade.
Era uma vontade que não terminava.
Uma infinita paixão que se sabia, no fundo, finita.

Nunca era junto, era sempre só.
Era sempre de um lado apenas.
Era sem resposta completa.
Era com muito silêncio e sem nenhuma explicação.

Era com muita interrogação,
E com muito interesse.
Era com muita dedicação.
Era com reticências.

Era sempre um desejo calmo.
Era sempre uma determinação boa.
Era algo concreto, porém desacreditado.
Era de verdade, mas não era regado.

Era.
Era.
Será que, finalmente,
Era?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Save you - Pearl Jam



I'm gonna save you fucker, not gonna lose you
I'm feeling cocky and strong, can't let you go
Too important to me, and too important to us
We'd be lost without you
I'm there, let yourself fall,
I'm right below you now

And fuck me if i say something
You don't want to hear, from me
And fuck me if you only hear
What you wanna hear, from me, if i care
But i'm not leaving here

You helped me when i was down,
I'll help when you're down
Why are you hitting yourself?
C'mon and hit me instead
Let's pick up your will,
It's grown fat and lazy
It's sympathetic as well,
Don't go on me now

And i'm not living this life without you,
I'm selfish and clear
And you're not leaving here without me,
I don't wanna be without...
My best friend
Wake up to see you could have it all
Whoa!

Cuz there is but you,
And something within you
Has taken control,
Let's beat it
Get up, let's go
Oh, you're in your own world,
Let's see the whole world!
Let's pick up your soul

And fuck me if i say something
You don't wanna hear from me
And fuck me if you only hear
The tremble in your head
Please help me to help you
Help yourself!
Help me help yourself
Help me, please want me to
Please let me to, help you...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Anotações de meia-noite


Não se pode dizer que não houve tentativas. Houve várias. Algumas com resultado, a maioria sem. Se não se pode dizer que estes resultados foram plenos, ao menos fizeram com que a alegria de alguns momentos parecesse a própria felicidade, mesmo que ela terminasse dali a dois dias, quando uma nova tentativa voltava sem resultado.

A imprevisibilidade é algo que encanta, mas que ao mesmo tempo amedronta, porque depois de um tempo ela pode aparentar ser previsível: se uma coisa que não se previa acontece algumas vezes, sempre a despeito das nossas expectativas, passaremos a imaginar que estes imprevistos ocorrerão nas próximas ocasiões, sendo assim previsíveis. E aí vem o medo da nova tentativa.

A persistência é algo que maltrata mas que também, contraditoriamente, ajuda. Se insistimos em algo até que tenhamos a certeza de que é bom ou ruim, é porque não nos conformamos com algo que nos atordoa. Persistir, resistir, insistir... por mais que possa ser maçante, é uma forma de quebrar barreiras e chegar até onde se possa, até que sintamos que "aqui é o limite". Em que pese as possibilidades de se ''quebrar a cara'', ao menos sabe-se que tudo quanto se pôde fazer, foi feito.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Rosa - Origami 2


Depois do tsuru, chegou a vez de aprender como se faz uma rosa em origami. O modelo é esse da foto, mas as minhas não ficam tão bonitas assim, talvez por causa do tipo de papel ou talvez pela falta de prática. Se bem que essa última hipótese está sendo descartada, já que desde que aprendi a fazer, qualquer pedaço de papel vira um quadrado que eu pego e transformo em rosa...rs Já virou realmente um vício.

Bom, mas como nem tudo na vida são rosas, essa semana as dobraduras estão suspensas e agora eu tenho que me desdobrar para colocar em dia as leituras da faculdade que nessa semana de Páscoa acabaram sendo deixadas em segundo plano... =P

De resto, tudo está caminhando tranqüilamente. Às vezes a gente faz umas bobagenzinhas achando que vamos ter algum retorno, mas não dá em nada. Depois a gente pondera um pouco e percebe que há coisas pelas quais não vale a pena ficar insistindo, o negócio é deixar na mão do destino, se é que há mesmo destino...

Enquanto isso, outras coisas acontecem naturalmente e nos fazem acreditar na real possibilidade de que não estamos fadados ao pior que a vida pode oferecer. Do que se conclui que o melhor da vida é viver um dia por vez e aproveitar o presente, sem preocupações, sem planejar demais, sem ficar encanado com o passado nem com o futuro. (Embora isso não seja tão fácil de praticar, vale a tentativa)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Tsuru - Origami


Semana passada aprendi com meus queridos colegas de estágio como se faz o origami de tsuru!! O tsuru (grou) é uma ave que freqüenta as lagoas ao norte da ilha de Hokkaido, no Japão. Dizem que os tsurus vivem mil anos, por isso o origami simboliza longevidade, sorte, paz e felicidade.

Há uma lenda que diz que se você fizer mil destes origamis desejando alcançar algo, ao final das dobraduras, vc consegue realizar o desejo. Bom, não sei se funciona... pelo menos é uma boa distração! Mas se dobrar mil tsurus é coisa demais, pelo menos pode-se fazer um e oferecê-lo a alguém como forma de desejar boa sorte. =)

Quer aprender também? Dá uma olhada neste vídeo (a música de fundo é esquisita, mas dá pra ver direitinho como se faz a dobradura): http://www.youtube.com/watch?v=MGpEFzsqkng&feature=related

domingo, 16 de março de 2008

Essa velha que não morre...


Sai ano, entra ano, ela se esconde, depois volta, mas nunca morre. Aparece quando é menos conveniente, sem o menor motivo para tal. E estraga dias, tardes ou noites que poderiam ser tão agradáveis. Simplesmente ela vem e leva embora as falas, deixa sorrisos sem-graça e frases pipocando na cabeça numa desordem tamanha que impossibilita a saída. Gestos curtos, respostas curtas, silêncios longos. Depois ela deixa pra trás a sensação ruim de que tudo poderia ter sido melhor. O pior é saber que ela nunca vai morrer. Talvez ela se torne mais maleável, talvez possa-se negociar com ela, abrandá-la. Mas ela é difícil, não cede tão fácil =/ Talvez o remédio seja tentar enganá-la. Ou dar uma rasteira nela e deixar que ela pelo menos fique de cama, fraca e doente. Talvez fosse uma forma d'ela aparecer menos.
Só se precisa saber o momento certo de atacar, de antecipar-se à ela... a velha timidez.

sábado, 15 de março de 2008

Manutenção


De uns tempos pra cá este blog anda meio musical... é que a música preenche espaço quando faltam as palavras, e elas têm me faltado bastante ultimamente, então lá vou eu falar um pouquinho da minha vida, já que tb estou sem sono por enquanto...

Esse ano tá sendo bastante agitado, o que é bom. O problema é só aquele velho problema de adaptação: sair de uma zona de conforto e começar coisas novas é algo que sempre me deixa duplamente mexida. Se por um lado me sinto contente e animada com a mudança, por outro lado vem a insegurança, "será que vai dar certo?" "será que vou conseguir?"... perguntas que a gente faz mas já sabendo que só o tempo é que vai responder.

Mas uma das coisas que anima é que em meio a tantas sensações, inseguranças e medos, há momentos que são como oásis, pessoas ou fatos que durante alguns instantes nos proporcionam alegria, sei lá, faz a gente acreditar que as coisas estão/serão menos difíceis do que parecem.

Não sei como terminar esse post. Acho que agora o sono tá chegando. Bom, vou procurar me dedicar melhor a este blog, coitado. Mas por enquanto vou ficar só nisso por hoje.

(Embora o post seja curto, na verdade levei muitos minutos entre a tela de edição de postagem e outras janelas da internet e do msn... enfim, coisas que se faz quando se está sem sono e na frente do computador... :P)

PS: O título do post talvez não tenha mesmo sentido. =)

sábado, 1 de março de 2008

Flor de capim


Toda vez que avistava uma daquelas flores amarelas de pétalas finas – até quase feias, se comparadas a outras flores – sentia saudades de sua infância. Naquele dia dirigia-se ao trabalho, era uma manhã cinza quando de dentro do ônibus viu no chão do parque algumas daquelas flores tão simples, tão amarelas, que dentre o verde do capim reluziam lembranças tão pueris. Recordava de quando, junto às outras crianças, colhia pequenos maços das tais flores entre uma e outra pausa nas brincadeiras de correr. Naquele tempo os dias passavam em outro ritmo e o contato com flores, capins, tatuzinhos e pequenos caracóis de jardim faziam parte da rotina. Lembrava-se de como era boa a sensação de não ter preocupação, a não ser a de como aproveitar o tempo de lazer da forma mais proveitosa (embora esta sensação não fosse de fato sentida, já que crianças nem pensam sobre isso).

Mas todas essas pensações haviam durado apenas poucos minutos, que foi o tempo em que o ônibus encontrava-se parado pelo sinal vermelho, no caminho de casa para a estação de trem, onde disputaria um lugar num vagão até seu destino, até sua rotina adulta, até seu trabalho. E as lembranças trazidas pela flor de capim eram agora substituídas pelas imagens do futuro que os trilhos do trem a faziam imaginar enquanto aguardava na estação.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ferreira Gullar - Verão

Homenagem ao final de fevereiro =D

Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração

deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar

A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida

Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer,

E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.

O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida

Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.

E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda agoniza
resiste mordendo o chão.

Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
É essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.

Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Rebelion (Lies) - The Arcade Fire

.

Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.

People say that you’ll die
faster than without water.
But we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.

People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live our misbehavior.

Every time you close your eyes
Lies, Lies!

People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.

Come on hide your lovers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

Hidin’ from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

People say that you’ll die
faster than without water,
but we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.

Scare your son, scare your daughter.

Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon it’s alright (Lies!)

But every time you close your eyes. (Lies!)