domingo, 21 de junho de 2009

socorro

Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento,
Acostamento, encruzilhada
Socorro!
Eu já não sinto nada

Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar, nem de rir

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que este já não bate nem apanha
Por favor, alguma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

Arnaldo Antunes

segunda-feira, 15 de junho de 2009

o grito


Era um grito como ninguém jamais havia dado antes. Nele estavam contidos toda sorte de sentimentos que viviam ali presos dentro de si, como se a garganta fosse uma catraca a impedir a saída de seus dizeres a respeito de tudo que via e que lhe despertava opiniões. Enquanto gritava pensava em tudo que não havia feito, nos lugares em que não havia estado, nas conversas que não teve, nas roupas que não vestiu, no cabelo que não usou, nas frases que não falou. Tudo parecia sair ali por aquele grito. Tudo o que foi abafado pelo medo do comentário alheio, da imagem que faziam de si, das conseqüências de se fazer o que se quer.

O grito interrompia o sono dos que estavam por perto. Interrompia o silêncio de uma madrugada que antecedia a manhã de um dia que não seria jamais igual aos anteriores. Interrompia uma calmaria que cobria uma explosão de pensamentos, de idéias, de sentimentos, de vontades, de desafios e curiosidades.

O grito ecoava e se reproduzia dentro de si anunciando que o caminho se abria. E depois do grito olhou ao redor e tudo parecia quieto. O grito apenas a fizera acordar do sonho em que havia estado durante todo o tempo vivido. Foi então que notou que a vida havia passado completamente e a noite calada lhe mostrava que não havia mais tempo. A vida já havia passado.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Leve


Nave
Ave
Moinho
E tudo mais serei
Para que seja leve
Meu passo
Em vosso caminho

Hilda Hilst

quinta-feira, 11 de junho de 2009

remoto

Quero chegar no lugar onde as retas paralelas se encontram
Quero chegar onde os números terminam
Quero estar onde todas as hipóteses acontecem

Quero viver o irreal e tocar o inatingível
Quero observar o invisível e sentir o gosto do insípido

Só não quero mais o que é provável
Não quero ver o que conheço
Não quero ponderar entre possibilidades cabíveis

Quero aquilo que me deixe estática,
Que me faça sentir surpresa
E quero não saber do amanhã

Quero não ter certeza senão do agora, senão da vida.



segunda-feira, 8 de junho de 2009

andanças

pela dúvida na crença
pelo medo do novo
por causa das dúvidas
a insegurança se havia instalado.

pelo sentimento benéfico
por causa da paciência
e pela confiança
a segurança tomou de volta o seu lugar.

pela mágica da transformação
pelo silêncio dos processos
ou por causa da improbabilidade
perguntariam se não seria tudo falso.

por tudo que tem acontecido
e pelo que ainda acontecerá
por causa do que se está sentindo
se pode dizer que tudo é mesmo real.

sábado, 6 de junho de 2009

um pouco de quase tudo de mim

Pareço estranha, mas sou comum.
Pareço comum, mas sou estranha.
Eu gosto das coisas simples.
Mas freqüentemente tenho umas pirações complexas na cabeça.
Gosto de dias cinzas.
Prefiro o inverno ao verão.
Às vezes passo mal no verão, com quedas de pressão.
Gosto de rock.
Gosto de MPB.
Gosto de música eletrônica.
Gosto de moda de viola.
Não gosto de reggae.
Acredito em Deus.
Torço pela felicidade dos que gosto.
Não sinto ódio por ninguém, não tenho inimigos (acho).
Já quebrei o dedo mindinho quando tinha uns oito anos.
Gosto de crianças.
Gosto de idosos.
Não gosto muito de adolescentes.
Tenho uma leve fobia social.
Sou louca por doces.
Torço pelo Corinthians, embora não fervorosamente.
Nunca usei camisa de time.
Nunca participei de campeonato esportivo.
Já ganhei um troféu de melhor fantasia de Xuxa quando tinha uns quatro anos.
Já fiz papel de menino numa quadrilha na pré-escola.
Já namorei por mais de um ano.
Tenho dificuldades em ler livros até o fim. (Mas leio.)
Começo vários livros ao mesmo tempo =/
Não consigo falar inglês, embora compreenda razoavelmente.
Gosto de falar em portunhol, só de zuação.
Tenho miopia e astigmatismo e uso óculos desde os 12 anos.
Não uso sapato de salto.
Tenho pavor de falta de luz à noite estando sozinha em casa.
Tenho fobia de bichos lisos tais como lesmas, lagartas, mandruvás (!) e afins.
Tenho nojo de barata, mas se preciso, mato.
Você dificilmente vai me ver puxando conversa com estranhos.
Gosto de objetos coloridos, principalmente quando têm as cores vermelho, azul e amarelo.
Adoro artesanato.
Adoro ficar dentro de casa.
Adoro aprender e fazer origami.
Adoro fotografias, mas não gosto de estar nelas.
Gosto de viagens, mas pouco as faço.
Sonho em viajar pela América Latina.
Sonho com um sistema de educação pública que seja levado a sério por todos.
Tenho uma família que pode não ser a mais perfeita, mas é a exatamente ideal para mim.
Tenho uma cabeça com muito espaço ocupado e ainda muito a preencher.
Gosto do cheiro de terra molhada.
Não gosto de pisar na grama com orvalho estando com os pés descalços ou com calçado aberto.
Brincava com tatuzinho de jardim quando criança e comia miolinhos de flores.
Falo comigo em pensamento; na verdade, freqüentemente, discutimos muito.
Tenho problemas com auto-estima.
Sou incapaz de concluir qualquer descrição sobre mim mesma.

21/01/09

terça-feira, 2 de junho de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

tipo...

Tipo, sabe quando vc escuta alguém conversando, daí tipo, vc começa a perceber que a pessoa tipo repete demais certa palavra? aí, tipo, vc resolve começar a tipo contar quantas vezes a pessoa fala essa tal palavra. Tipo... isso aconteceu esses dias no trem. Tinha tipo um casal de estudantes universitários conversando sobre a "facool" e ela relatava alguma história para ele. Eu me ative aos "tipos" que, durante poucos cinco minutos em que eu me pus a contar, chegaram perto dos 20... Desisti porque cansei, afinal escutar conversa alheia, por mais que num coletivo seja inevitável, é deseducado (além de a história da moça ter se perdido no meio de tanto "tipo" disparado)...

Tem coisas que a gente fala sem nem perceber (tenho certeza que eu também às vezes solto alguns "tipos") e acabamos ficando com uns vícios de linguagem dos quais para "estar nos livrando" é sempre difícil... Eis aí nosso detestado e eterno gerúndio, que não me deixa mentir.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sismos, abalos, tremores.


Muito simplificadamente falando, abalos sísmicos, também chamados de terremotos, ocorrem como uma forma de liberar energia acumulada ao longo do tempo entre placas da crosta terrestre, que se movem devido a dinâmica interna da Terra, na qual o material das camadas internas se movimenta fazendo com que as placas na superfície também se movimentem. Mas esse movimento é lento e, ao longo do tempo, acumula energia que, de momento em momento é liberada por meio de tremores - e erupções vulcânicas em alguns casos mais específicos.

Os abalos sísmicos ocorrem sem prévio aviso, podendo até causar danos irreparáveis, conforme sua magnitude. Num momento tem-se tudo na mais perfeita ordem (ainda que esta "ordem" não seja propriamente perfeita) e no instante seguinte, o chão começa a tremer deixando tudo remexido, bagunçado, fora de lugar.

Por mais que se tente prever, nunca se sabe quando nem onde será o próximo, ele vem sem avisar. Algumas vezes superficiais, outras vezes mais profudos. Algumas vezes rápidos, outras vezes mais demorados. Algumas vezes fortes, outras vezes mais fracos. Mas sempre capazes de alterar a normalidade das coisas: um quadro que se desalinha na parede, um lápis que cai da mesa, um sobrado antigo que cai ou um prédio que desmorona.

Abalos na vida pessoal também podem ser fruto da dinâmica interna dos seres humanos. O acúmulo de emoções, de dúvidas, de tensões, em alguns momentos podem extravasar de forma inesperada, levando a situações que em alguns casos, podem ser bastante contornáveis e em outros, podem até mesmo ser irreparáveis.

O que se faz depois é o de sempre, independentemente do tamanho dos resultados do abalo. Sempre é preciso tentar arrumar, recolocar tudo no seu lugar, levantar o que caiu, reconstruir o que se perdeu, lamentar o que não se pode recuperar. E esperar que os próximos abalos menores que podem ocorrer como reflexo do primeiro, não causem o medo daquilo que é parte do funcionamento natural do planeta. Quanto aos tremores na vida pessoal, espera-se que os próximos abalos que podem ocorrer como reflexo do primeiro, não causem o medo de continuar tentando acertar, o que faz parte do funcionamento natural do ser humano.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

primavera nos dentes


Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera

(Comp.: João Ricardo/João Apolinário)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

o tempo das coisas

Chega a ser até engraçado como as coisas acontecem exatamente como e quando devem acontecer. Eu, embora sempre tenha me declarado "acreditadora" disso, no fundo sempre mantive uma certa reserva... No entanto, hoje percebo que sim, elas acontecem à sua hora.

"Os momentos não chegam nunca tarde nem cedo, chegam à hora deles, não à nossa, não temos de agradecer-lhes as coincidências, quando ocorram, entre o que tinham para propor e o que nós necessitávamos." J.S.


segunda-feira, 23 de março de 2009

Numa relax, numa tranquila, numa boa...

Hoje eu tô sentindo uma paz que chega a ser colorida.
Um conforto de alma que chega a dar remorso.
E tudo tá tão macio que parece que o mundo é estofado.
Como se tudo lá fora, as coisas ruins que existem, fossem tão pequenas.
Deve ser felicidade... =)

segunda-feira, 9 de março de 2009

sessão nostalgia: A-ha!

E não é que o A-ha ainda existe?!

Não sabia disso, mas eles farão show no Brasil esse mês, no dia 25.
Das músicas deles, uma das que mais me emocionam, pela nostalgia que tem nela, é "Take on me". Me lembro de quando era criança, morro de saudade daquela época, a lembrança sempre é boa.

Outros grandes sucessos são "Hunting high and low" e "Crying in the rain".

Posto aqui o clipe de Take on me, só pra nostalgiar um pouco.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

momento saúde: cóf! cóf! cóoof! cóf! =/

Em algumas épocas do ano, algumas pessoas são acometidas por gripes, resfriados, ou algo que não chega a isso, ficando apenas na tosse.

Comigo é assim: começa geralmente com uma dor de garganta, depois ela, a tosse, chega e fica. Fica por dias, geralmente uma semana... Se durar mais que isso, o negócio é ir ver um médico - pode ser tuberculose (até hoje, não cheguei a este ponto, graças a Deus).

No ônibus, no trem, em qualquer lugar onde haja alguma aglomeração de pessoas, é lá que a tosse vai atacar e vai fazer tossir, tossir, tossir compulsivamente, até que a garganta pareça estar rasgando e a tosse saindo direto do pescoço. (!)

A sensação de saber que as pessoas te olham como se você estivesse enchendo o ambiente com vírus mortais do tipo ebola, só porque você está tossindo descontroladamente, não é gostosa.

E algumas pessoas olham como se você estivesse fazendo de propósito, com aquela cara feia de quem repreende, sem soltar palavra, alguém que joga o lixo pela janela.

Algumas olham com dó, como se quisessem dizer "humm, eu sei como é isso, semana passada mesmo estava desse jeito". Pois é.

Mais raro é acontecer de alguém - talvez por compaixão, talvez por querer se livrar do incômodo sonoro, nunca se sabe - oferecer gentilmente água ou uma pastilha, drops, bala.

Mas nada resolve de imediato. Essa tosse-seca, por alguns conhecida como tosse de cachorro, não tem jeito, você tem que tossir. O Dr. Drauzio Varella diz que essa tosse seca pode ser devido a ausência de muco (catarro); mas também pode ser que haja o muco, porém, que esteja retido por desitratação ou tratamento incorreto.

Lembro que uma vez fui ao médico, ele me receitou amoxicilina, dizendo que se tratava de uma bactéria instalada na garganta, que provoca esse tipo de tosse.

Um site na internet diz que a tosse seca pode ser sintoma de câncer de pulmão (não quero acreditar que seja esse o meu caso) ou de um processo irritativo de qualquer natureza.

Só vou ao médico se isso durar muito mais. Por enquanto, estou bebendo muita água, mas por dia, sofro pelo menos umas duas crises desse tosse-tosse chato e inconveniente. E vamos driblando os olhares inquisidores, fazendo cara de "assim como você, também acho essa tosse infernal!"

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

eu tava de saco cheio

Então fui procurar Deus, que transcende qualquer chateação, que é superior a tudo que existe. Ao menos para quem acredita. Eu acredito. E estou ficando bem =)


sábado, 14 de fevereiro de 2009

Valentine's Day

óh! =)

contrários

Pra cada rosto feliz, há ao menos um triste. Para cada pessoa apaixonada, uma ao menos está desiludida. A cada novo negócio fechado, ao menos um outro fracassou. Para cada um que nasce, tantos outros morrem. Um casamento, algum(ns) divórcio(s). Um sorriso, lágrimas. Um abraço, murros. Beijos, chutes. Conversas, brigas. Palavras, silêncios. Ações corretas, crimes. Conhecimento, ignorância. Positivo, negativo. Carregado, neutro. Ligado, desligado. Claro, escuro. Liberdades, prisões. Luxo, miséria. Casa, rua. Paz, guerras. Yin e Yang.
Parece que tudo implica um contrário, um oposto. Talvez o problema esteja nas proporções.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

post nº. 73

"I wish i could fly
Leave this crazy world behind
I'd fly far from the things
That make me stumble all of the time
These wings to my soul are clipped every time they grow
With just one touch from You, God
And I could soar on the wind I know

And I could spread these things and fly
The world can't hold me down
These wings are freedom for my soul
No longer am I bound
And I could spread these wings
And show the world the freedom I've found
And if I can fly, than you can fly too."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Deus

Para quem não acredita, só existe para quem acredita.
Para quem acredita, existe, simplesmente, sem para quem.