terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Alguém é melhor?

Tenho escutado bastante a música "Eu sou melhor que você", do Banzé. Fala sobre o quanto algumas pessoas são tão pequenas quando se acham maiores do que são... Que muitas vezes as pessoas fazem imagens de si que não são verdadeiras. Que muitas vezes as pessoas se acham mais do que realmente são... Que se acham mais importantes, que se acham melhores que as outras. Mas no final, o que estão fazendo é pedindo atenção. Achando-se melhores, mais importantes, estão pedindo "olhem pra mim, por favor, vejam, eu tenho qualidades".
Triste saber que por trás de uma exuberante mulher ou de um homem bonitão estão pessoas sozinhas, seres humanos normais e comuns, que como todos precisam ter outras pessoas por perto e, talvez inconscientemente ou não, apelam pro orgulho e sobem num pedestal imaginário, exigindo reverência ou pelo menos querendo ser referência.
Eu penso que ninguém é melhor que ninguém, todo mundo tem suas qualidades e seus defeitos. Seria um saco se houvesse pessoas perfeitas. Ainda bem que não há.

"Eu sou melhor do que você... mas por favor, fique comigo, que eu não tenho mais ninguém"
Bom, melhor do que eu ficar falando, prefiro que vc escute a música e dê sua opinião ;)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Sem lugar


Cheguei na porta de um mundo que não é o meu. Ameacei entrar, achei mesmo que fosse fácil, que houvesse um corredor que ligasse o meu mundo a este outro, mas não há, pelo menos não está visível. Algo me impede, porém, de voltar pra casa. É como se de alguma forma eu não coubesse mais naquele lugar de onde vim. Mas ainda não pertenço a este novo lugar. Então começo a rever o caminho percorrido, tentando encontrar alguma explicação. Percebo que andei na contramão de coisas que eu mesma acreditava serem reais. Coisas que pareciam ser a solução de um monte de problemas... na verdade elas não resolvem todos os problemas. Elas me fazem pensar em outros tipos de problemas e quem sabe, em problemas muito maiores. O fato é que não dá mais pra voltar para o mundo de onde vim. Não seria bem vista por lá... mas ainda não sou bem vista neste, também. Sou simplesmente uma mutante, cheia de diferenças tanto lá, quanto aqui.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Indicação =)


Nossa, tô emocionada!! Acabei de ir visitar o blog da Jéssica, o Devaneios Bobos e me surpreendi ao ver o "Defenestrações" indicado para o selo Blog Cabeça... êÊeeee!!! Na verdade não acho que o Defenestrações seja um blog cabeça :P, então além de emocionada fiquei meio sem jeito também...rs mas já que a Jéssica (que escreve muito bem, por sinal) tá dizendo...hehehe

"É gostoso ler os textos da Paula! Tão bem feitos, tão cheios de significados, e como todo bom autor, ela aguça a imaginação do leitor (a rima não foi proposital!)"


Então meus cinco indicados são os seguintes:

Clube do Camba, da Mari
Confessionário, do César
Espada do Templário, do Otávio
Mundo de Dentro, da Melissa
Nasci na época errada, da Gisele

Estes com certeza são blogs-cabeça!

Obrigada, Jéssica!!
=)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

ai... ui...



Não sei de onde veio esse golpe que me acertou bem no estômago. No coração ficaria muito piegas, mas na verdade foi lá no coração mesmo que me acertou. E na verdade eu sei de onde veio. Veio de um vazio que foi preenchido por ilusão. E foi um golpe certeiro mesmo. Daqueles que a gente se sente zonzo, sem rumo. Mas depois a dor passa. Passa só que a gente não esquece. Mas a lembrança do golpe faz a gente ver as imagens em câmera lenta, e percebemos que só fomos atingidos pelo golpe porque demos brecha em algum momento. E é esse momento que identificamos, depois de um tempo. Assim, conseguimos nos prevenir numa próxima ocasião em que venha um outro golpe. E virá.

Esquivar ou revidar, eis duas alternativas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Refresh

Tarde da noite, cansado de trabalhar, parou por um momento. Estava sentado diante de seu companheiro eletrônico – o computador – e pensou em voz alta “ah, se a vida fosse tão simples quanto ele... Daria refresh, delete, enter, print screen conforme fosse necessário... em casos extremos, até um format!”

De repente percebeu um zumbido. A janela de madeira de seu quarto estava entreaberta. Era noite de outono, mas fazia calor. Foi quando junto com um vento moderado, entrou um ser voador de tamanho muito pequeno, não sendo possível à primeira vista diferenciá-lo de um mosquito. Minutos depois de observar aquele ser que havia pousado vagarosamente sobre a mesa, é que percebeu que se tratava não de um mosquito, mas de um homenzinho! Não tinha mais do que um centímetro, mas isso não implicava falta de elegância no vestir-se: usava terno, gravata, sapatos lustrados e um chapéu, desses do tipo cartola, e era muito simpático, embora toda aquela roupa lhe conferisse um certo ar grave.

Atônito, a princípio olhava com cara de interrogação para aquele homenzinho, que permanecia parado, ereto à sua frente sobre a mesa. Passados alguns segundos de completo silêncio, ele perguntou ao pequeno:

— Quem é você? O que faz aqui?
— Ora, então não foi você quem desejou que a vida fosse como no computador?
— Oh, sim, claro! Eu disse isso, mas quem me dera se a cada desejo meu aparecesse alguém para realizá-los... Certamente eu não estaria aqui trabalhando noites à dentro.
— Entendo, filho. No entanto não posso te ajudar com relação aos demais desejos, sejam eles quais sejam. Meu departamento é realizar os sonhos cibernéticos. E sabe, já estou um tanto cansado dessa vida, e se não se importar, gostaria que fôssemos logo ao ponto. Então você quer que sua vida se transforme num sistema computacional não é, então vamos lá. Mantenha-se em pé, por favor. Agora vou...
— Ei calma! Você seja lá quem ou o que for, não pode estar falando sério! Isso tudo não pode ser sério! – o rapaz estava realmente espantado com aquela situação.
— Você está certo, meu jovem. Permita que me apresente. Sou Morpheu.
— Hahahaha... você está brincando comigo. Morpheu!
— Sim, sei o que deve estar pensando. Matrix. E até concordo com seu espanto. A verdade é que quem aparece primeiro sempre recebe as vantagens do reconhecimento. Mas você acha mesmo que os irmãos Wachowski seriam tão fantásticos a ponto de inventarem inclusive este nome? Exatamente. Foi em mim que se inspiraram. Deixe-me ser breve em contar minha história: sou o deus dos sonhos, filho de Hipnos, deus do sono. Sempre que alguém deseja algo com força, eu apareço para realizá-los. Só que vocês humanos pedem coisas demais! Portanto há poucos séculos meu pai achou por bem me dar alguns irmãos e a cada um de nós estabeleceu jurisdições próprias para realizações de desejos. Há uma década tornei-me responsável pelos sonhos relacionados ao mundo cibernético. Portanto, realizarei o desejo que o senhor, jovem rapaz, acabou de proferir antes que eu me adentrasse ao seu quarto.
— Hahaha... inacreditável. E engraçado. Bom, já que está aqui vamos ver o que é isso!
— O-bri-ga-do. – ele apresentava um tom meio rabugento nesta frase, como quem não precisasse agradecer por algo que já lhe era de direito. – Agora passemos ao que é de interesse, afinal ainda tenho muitos outros afazeres.

O rapaz não podia acreditar no que ouvia e via. Mas aquilo tudo estava acontecendo de fato, ali diante dos seus olhos, tudo o que tinha a fazer era aproveitar aquele momento. Então logo se acostumou à idéia e já se via ansioso por dar os devidos deletes, refreshs, enters e demais comandos que tão úteis lhe pareceriam...

— Ó forças ocultas! Atendei através de mim, ao pedido deste homem! Alacazam!
— Ué, então é só isso?! “Alacazam”?
— Sim, filho. Simples assim, mas não é para todos. Como disse, sou o deus dos sonhos.
— Está certo... Vamos ver se isto funciona mesmo... vou dar um ctrl+f para encontrar o outro par do meu tênis, que sumiu aqui dentro do meu quarto!

E em frações de segundo, lá estava o par de tênis. E o rapaz, encantado com aquilo, não tinha palavras para dizer o que sentia, tamanha era sua satisfação. O homenzinho, vendo que o jovem já estava satisfeito, partiu pela mesma janela pela qual havia entrado e o rapaz nem percebeu sua saída.

Então começou a pensar no próximo passo que daria, agora que tinha “super-poderes”. Claro!! Daria o refresh, o comando com o qual tanto havia sonhado. Em frações de segundo sua vida estaria completamente atualizada de acordo com seus planos. Nada de chateações nem perturbações. Sua vida em nova versão. E foi então que...
...Acordou com sua mãe batendo à porta de seu quarto... era seu chefe ao telefone informando que o cliente havia reduzido o prazo. Claro, onde mais além de nos sonhos criaturas minúsculas entrariam por janelas e realizariam sonhos impossíveis? Morpheu... pfff

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Madrugada

Texto antigo, mas eu gosto dele.



Madrugada é boa para escritores, para músicos, para casais apaixonados
Madrugada é boa para cansados, para sozinhos e para acompanhados
Madrugada é boa para vizinhos beneficiados com a lei do silêncio
Madrugada é muito boa para amantes de casas noturnas (e para os donos das casas noturnas)
Madrugada é para muitos turno de trabalho pesado! Enquanto muitos dormem muitos outros trabalham...
Madrugada é dia ainda com cara de noite
Madrugada é chegada de um novo amanhecer
Madrugada é alvorecer, é renascer
Madrugada
Madrugada
Santa Madrugada!

domingo, 6 de janeiro de 2008

Fora, desânimo! Venha, Bowie! hahaha

Tô aqui em casa, agora, 00:30, pensando na vida. Na frente do PC, com preguiça de ir dormir. Triste com o triste desenrolar desta semana, achando ou pensando que o ano inteiro vai ser assim... De repente me ocorreu que EU É QUE FAÇO A MINHA VIDA. Não é ela que é boa ou ruim, ou melhor, se ela é boa ou ruim, é culpa ou mérito meu. É, vc pode achar óbvio, mas eu não enxergava desse jeito. 2007 teve coisa chata, bastante coisa chata. Saí do emprego (por opção, é verdade, mas até hoje ainda estou sem trabalhar); me iludi por um cara que não tava nem aí pra mim; fui mal no semestre da faculdade e 2008 começou comigo imersa numa grande apatia. E me vi agora, há poucos minutos perguntando e maldizendo o destino... “ó céus, ó vida, ó az*r”. Mudei a música q estava escutando. Tirei o Keane e coloquei o David Bowie, Modern Love (adoro!), nem tanto pela letra, mais pela música mesmo, pela melodia. E não sei de onde tirei, mas em questão de segundos me vi animada! Com fôlego novo. Saí do emprego? Arrumo outro! O cara me deu fora? Eu supero! Fui mal no semestre da faculdade? Tá em tempo de recuperar! Meu cabelo tá um lixo? Dá pra arrumar! Tô com o sono zuado? Daqui a pouco vou ir dormir! [E até quase tive uma gata de estimação pra adotar, que apareceu na porta da minha casa, mas tadinha, devia ter se acidentado e não viveu por muito tempo... =´(]
Pra tudo há solução. Bom, algumas não são tão simples, eu sei. Mas não tô afim de perder esse otimismo não. Vou fazer esforço pra me manter assim ao longo da semana, do mês e da vida. Sei que vai ter momentos de recaída... o bode pode aparecer às vezes. Mas eu estou me comprometendo COMIGO a partir de hoje. E é isso aí!!

Bjomeliga!



P.S.: Corro o risco de daqui poucos dias (ou minutos) me arrepender de postar isso... e até achar ridículo... É, eu sou realmente uma pessoa meio “depressiva” ou incrédula de mim mesma. Mas vou deixar esse post aqui, pra eu sempre me lembrar que pelo menos por alguns momentos me senti otimista de verdade.

“But I try, I try...”

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O primeiro dia do ano...



Hoje é o primeiro dia do ano. 2008. Ano bissexto. Ano par. Ano novo. No meu primeiro dia do ano não teve manhã. Acordei às 12:30. Não almocei, acho que a ceia de ontem ainda está no meu estômago (!!). Ventilador na potência máxima, sofá irresistível, programação da tv inaceitável, mas na falta de coragem para fazer qualquer coisa, tá valendo (até o sono já foi esgotado). As únicas pessoas que vi hoje foram meu pai e minha mãe... Há alguns minutos entrei na internet pra ver se me distraio um pouco, já que não consegui continuar lendo o livro que comecei há uma semana (impressionante como o calor me tira a vontade de pensar). E todo otimismo que eu parecia ter ontem, hoje deve ter ficado lá no travesseiro.

Bode gigante, começo a ouvir a trilha sonora do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Nesse momento exato, ouço La Valse D'Amélie (Versão em piano). É uma belíssima música. Mas não é das mais animadoras... mesmo assim continuo escutando, porque me faz pensar (ao contrário do calor, que insiste em me fazer não pensar). Aí penso nesse ano que tá começando hoje. E penso nas coisas do ano passado que ainda não terminaram, como o semestre da faculdade. Tenho trabalhos pra entregar esse mês, como reposição pela greve de 2007. E começo a pensar que preciso começar a trabalhar, o estágio que eu acreditava certo até o momento não iniciou (maldita burocracia!). Mas como não sou muito de planejar, opto por evitar pensar muito em coisas à longo prazo. Mas mantive a música, o som do piano me tranqüiliza, de alguma forma. Eu não sei dizer como estou me sentindo hoje. Acho que não estou nem bem nem mal. Por isso acho melhor finalizar este post. O primeiro dia do ano ainda não terminou, mas acho que não vai mudar muito em relação ao que tem sido até agora: eu aqui em casa sozinha (meus pais foram à casa de uns amigos) ouvindo música instrumental (talvez comece a ouvir uns rocks \o/), na frente do pc (não por muito tempo, maldito calor!), com um humor não muito agradável (ainda bem que não vi muitas pessoas hoje né...rs).

É, esse primeiro dia do ano tá sendo pra mim meio... soturno. Que ele não seja exemplo para os outros 365 dias! (Este terá 366, já que é bissexto)

E meu dia prossegue...

Tomara que aconteça uma mágica e que meu dia mude. Se isso acontecer, eu conto aqui sobre como me tornei crente na arte do pensamento positivo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O último dia do ano...


Hoje é o último dia do ano e tem sido inevitável pensar nas coisas que fiz durante o ano que está terminando. 2007 foi um ano bastante bom. Pessoas muito boas entraram na minha vida, outras infelizmente saíram. Vivi algumas situações novas e estranhas, chorei muitas vezes e também dei muitas risadas em outras. Saí do emprego de sete anos. Comecei a dar aulas de geografia num cursinho. Passei por um grande período de greve na universidade, neste que foi sem dúvida o ano mais agitado da graduação até agora. Conheci uma cidade linda onde me diverti com pessoas fantásticas. Coisas boas e nem tão boas aconteceram, mas com certeza aprendi muito e muito ainda tenho a aprender, certamente.

Todas as coisas por que passei, todas as pessoas que conheci, todos os lugares onde estive foram muito positivos. Se algum momento não foi agradável (e tiveram vários que não foram) me serviram também! A gente sempre pode aprender coisas nas mais diversas situações...

Mas agora vou deixar de lado esse ar de retrospectiva. Para muitas pessoas (eu também tendo a pensar assim) a mudança de ano não é mudança de vida e sim apenas uma mudança de calendário, já que no dia seguinte à festa as obrigações continuam, as contas a pagar continuam, os problemas também continuam, todos lá no mesmo lugar... Mesmo assim, acho válido esse clima de renovação, esse ânimo pelo ano que vem vindo, desde que não se leve tão a sério superstições do tipo "tem que usar roupa branca, tem que comer lentilha, tem que pular sete ondas, tem que comer sete uvas...", porque essas coisas realmente não me agradam...rs (meu lado ranzinza fala alto nessas horas)

E já que todo mundo faz pedidos e desejos para o ano novo, desejo que em 2008 todos tenhamos mais amor no coração, mais força mental, espiritual e física, mais saúde (também mental, espiritual e física). Que todos os nossos amigos mantenham-se presentes na nossa vida e nós nas deles. Que tenhamos a cabeça fresca pra lidar com as adversidades, que tenhamos sonhos a serem alcançados. Que todos sejamos sempre educados, mas que também saibamos extravasar nossas emoções quando preciso. Que tenhamos notícias boas, que sejamos felizes e que saibamos lidar com momentos tristes que porventura venham a ocorrer. E que a gente construa a paz todos os dias.

Encontrei um poema do Carlos Drummond de Andrade sobre o ano novo, que me parece muito oportuno =)

Não Precisa

Fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre


Um feliz 2008 para todos nós.

=)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Explicações - por Marcos Stefanini


Meu caro, para tudo há explicação, método, loucura, palpite, possibilidade de arriscar, chute, suposição, jogar dados e moedas em busca de repostas, regras, exceções, exceções de regras e regras de exceções, mas nada, absolutamente nada explica o vento encanado que se sente na linha azul do metrô paulistano!

Marcos Stefanini é um amigo que conheci pelo orkut. Estudante de Ciências Sociais na Unesp de Marília/SP. "Roubei" este texto do antigo orkut dele, mas os devidos créditos estão aqui! =)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Mágico fenômeno




Eu não sou fã do Teatro Mágico, mas não posso negar que acho muito bonito o show deles e que gosto de algumas músicas. A primeira vez que os vi e ouvi (acho que foi no ano de 2005) havia poucas pessoas assistindo, afinal eles ainda não eram tão conhecidos. Fiquei admirada com a performance, nunca vi nada parecido antes (nem depois...rs). Eles misturam elementos do circo com música e teatro: é uma boa mistura. Enche os olhos e os ouvidos. Mas depois quando se analisa as letras e músicas com "frieza", alguma coisa fica meio falha. Mesmo assim, no meu gosto passam algumas, como a que coloquei nesse post (Uma parte que não tinha - composição: Fernando Anitelli).

Mas o que não gosto neles não é exatamente algo que tenha a ver diretamente com eles, mas com parte do público deles... =/ Da segunda e última vez que fui a um show (no começo desse ano) fiquei com preguiça de ficar na fila, não pela fila em si, mas por algumas pessoas da fila. Fanatismo em qualquer forma nunca me agradou. Nunca usei camiseta de banda nenhuma, nem das minhas favoritas, mas até aí tudo bem. Agora, pintar o rosto para ir ao show do Teatro Mágico? Não, isso é coisa que eu não faria. E não gosto de ver esse tipo de manifestação. Ok, cada um tem o direito de expressar seu gosto por quem quer que seja e da forma que bem entender. Mas também me reservo o direito de expressar minha opinião sobre isso. E não gosto mais de ir aos shows do Teatro Mágico por causa disso mesmo, porque me dá preguiça agüentar a moçada com nariz de palhaço e rosto pintado de branco, gritando pelo nome do Fernando, o líder e vocalista principal do grupo.

Bom, como disse no início, não sou fã, mas gosto de algumas músicas. E também acho que eles merecem reconhecimento pelo grande número de fãs que conquistaram da forma independente com que lançam seu trabalho. A divulgação é aquela na base do boca a boca, nada de gravadoras nem contratos... Como disse, no primeiro show que fui, há cerca de dois ou três anos atrás, poucos sabiam do que se tratava, hoje é raro alguém que não conheça ou que não conheça alguém que conheça, e isso porque eles não tocam nas rádios, nem aparecem na tv... até hoje só os vi uma vez na tv, e por sinal na tv pública, a TV Cultura.

Provavelmente eu receba xingos dos fãs mais fervorosos que porventura venham a ler esse post... Então de antemão ficam aqui minhas desculpas. Talvez um dia esse meu azedume passe e eu volte a freqüentar os shows. Ah claro. É importante frisar que não estou generalizando, coloquei em negrito que são algumas pessoas, não todas, mesmo assim, essas poucas pessoas que vi da última vez me tiraram o ânimo de ir vê-los ao vivo. Então por enquanto estou só ouvindo de vez em quando em casa mesmo...

O site do grupo é: www.oteatromagico.mus.br

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Offline


Engraçado é o status “aparecer offline” do MSN.

— Mas porque vc entra offline?
— Ah, só pra ver quem está. Dependendo, eu entro online.


E assim, ficam todos, e ao mesmo tempo, ninguém: todos escondidos e ninguém conversando. Os presentes, mutuamente sem se saberem presentes. Coisas da modernidade...

sábado, 15 de dezembro de 2007

Vazio


Sinto-me vazia. Vazia de idéias, vazia de vontades, vazia de esperança, de contentamento, de dúvida, de certezas, vazia de medos e de coragens. Vazia de ausências, de saudades, de aflições e de angústias. Vazia de gozos e de paixões, vazia de sentimentos, vazia de dor e de perdas. Vazia de tempo, vazia de espera, de tristeza. Vazia de desvarios, vazia de inconseqüências, de loucuras e de dinheiro. Vazia de lembranças, de pensamentos, de ilusões e de romances. Vazia de calma, de glória, de satisfação. Vazia de palavras, de frases, de sintaxes. Vazia de hipérboles, metonímias e paráfrases. Vazia de cigarros, de café e de sabores. Vazia até de dessabores. Estar vazio é ter todos os recipientes da alma cheios de nada. Estar vazio é não ter sobre o que falar, nem o que fazer, nem como fazer. Estar vazio é como não estar. É como não ser. Estar vazio deve ser parecido com morrer. A úncia diferença é que o vazio pode ser preenchido.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sobre o Natal

A árvore de natal sempre me despertou um certo fascínio. As luzes refletidas em enfeites dourados combinados com laços em fitas vermelhas e douradas, renas, bonecos de neve, papai noel, trenó, guirlanda, velas, presépio, o som dos sinos. Tudo isso, sempre me inspirou o famoso espírito natalino, e nessa época era sempre bom ver como as pessoas se sentem diferentes quando chega essa época do ano: vontade de ajudar uns aos outros, de se tornar uma pessoa melhor, de pensar nas resoluções para o ano que vem...

Mas de uns anos pra cá alguma coisa mudou. Como se a luz da minha árvore de natal tivesse queimado e deixado de me mostrar todas essas coisas que eu via antes. A verdade é que parece que outra luz é que passou a se acender e a me mostrar coisas além das que eu via. Minha confusão com relação a minha própria religiosidade tem me feito pensar sobre o Natal e sobre o comportamento das pessoas na época do Natal. É triste ver que o espírito natalino em muitos casos não é outra coisa senão hipocrisia.

A midia nos afoga com propagandas cheias de musiquinhas bonitinhas, emocionantes, até. Mas o que fazem no Natal não é nada além do que fazem sempre: oferecer seus produtos. Tudo bem, talvez essa minha posição pareça amarga, com um quê de desilusão. Talvez eu esteja me tornando uma pessoa chata. Mas a verdade é que eu não me sinto mais tão encantada com o Natal. Principalmente pelo fato de que enquanto em muitos lugares o clima é de festa, de união, de fartura, tem outro lado na história, tem gente que não sabe o que é o Natal ou que não tem o mesmo tipo de Natal que a televisão tenta nos mostrar...

Com isso, de um lado tem a atuação da televisão com imagens de um Natal ideal e do outro lado tem a questão religiosa. E eu fico no meio disso, pensando até que ponto estamos vivendo em função da tradição cristã de que o Natal é um momento de união no aniversário do nascimento de Jesus e onde começa a ser apenas o cumprimento de um protocolo, de um simples costume, que ninguém lembra direito qual o sentido disso (e aí entra o comércio/consumo desenfreados...).

Quantas crianças ainda escrevem carta para o Papai Noel? Muitas às vezes nem pedem brinquedos, pedem emprego para os pais, um lugar para morar, comida na mesa... Quantas crianças têm seu pedido atendido? Algumas dessas crianças talvez nunca tenham acreditado de verdade no Papai Noel, mas sempre acreditaram haver algum Papai (Noel ou do Céu ou da Silva, que fosse) que pudesse ajudar...

Tem uma música dos Smashing Pumpkins que faz pensar sobre isso... há uma certa ironia na letra e uma das frases da música diz: "Haverá brinquedos para todos", haverá mesmo?

Termino dizendo que eu não duvido da existência de Deus (é importante que se diga). Minha família é católica e certamente estaremos em casa à 0h00 do dia 25/12. Mas para mim será mais um Natal que passarei pensando e pensando sobre tudo que a acabei de escrever e sobre muitas coisas que se desenrolam a partir dessas.

Aqui vai o clipe "special edition" (por sinal muito engraçadinho =D) da música Christmastime dos Smashing Pumpkins. O link com a letra e tradução é este aqui: http://letras.terra.com.br/smashing-pumpkins/452546/ (O post ia ficar muito grande se eu colocasse a letra aqui...rs)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A Pessoa de Fora - por Melissa Cipoloni

Quem vê meus olhos - são negros - não me vê por dentro. Eles não são o espelho da minha alma... eles são o reflexo da minha escuridão, que brota de dentro pra fora.

Quem ouve minha voz, menina, pequena... não sabe a mulher amarga que grita e luta dentro do meu coração. Ela o rasga com cada grito de dor causado pelas feridas que a vida lhe fez e que ainda não sarou.

Quem vê minha calma e minha paciência, não sabe da inquietude que estremece meu ser. Não sabe que cada segundo da minha vida é conquistado com a agonia e com o desespero de quem não sabe se vai agüentar viver o segundo seguinte.

Quem me vê feliz, jamais imagina que a felicidade não existe.


Melissa Cipoloni é uma amiga querida que me atura quase todos os dias pelo MSN. É web designer, fotógrafa e também às vezes escreve coisas bonitas como a deste post.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Smile Way of Life!!


Eu sou fascinada por sorriso. Uma das primeiras coisas que olho nas pessoas é o sorriso. E acho que é algo de mais importante que temos. Eu não gosto muito de escrever sobre esse tipo de assunto, porque soa sempre piegas... mas eu acredito no poder do sorriso! Certas situações mudam de rumo quando alguém sorri. A gente freqüentemente passa por situações ruins, vê coisas horríveis acontecendo a todo momento, que às vezes a vontade que dá é de chorar! (e chorar às vezes também é muito bom). Porém, se pararmos pra pensar na diferença entre encarar uma situação sorrindo ou com cara "amarrada", tenho certeza de que nos saímos melhor quando estamos munidos de um sorriso.

Claro, não estou dizendo que rir elimina os problemas e nem estou fazendo apologia ao sorriso falso. Longe de mim. Se não dá mesmo pra rir, melhor ficar neutro então... Mas, como diz a Mafalda (do Quino) na figura que eu deixei fixa aqui no blog, "Sorria. É gratis, e alivia a dor de cabeça"...

Na cena final do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, o casal que passou por sérios perrengues, segue por uma estrada, sem saber direito como nem onde vão chegar, mas ele a faz sorrir, e assim, a caminhada se torna mais fácil... Uma bonita cena, que me faz pensar sobre a força do sorriso...

Estou numa fase meio hard da vida, e sei que não adianta nada perder a cabeça ou ficar de braços cruzados... o único jeito é encarar, e seguir adiante. Então, se eu sorrir pra vida, talvez ela sorria de volta, ou não. Mas pelo menos sorrindo, as chances de receber um sorriso de volta aumentam, assim como manter a testa franzida aumenta as chances de que me olhem também com a testa franzida...

Enfim, sorrir é um bom remédio. E sugiro, caso vc não seja adepto do "smile way of life", que vc comece a sorrir pra vida. Pode parecer estranho e bobo no começo, mas depois a gente pega o jeito e se acostuma. As coisas tendem a ficar mais leves. E se vc já é adepto desse estilo de vida, minhas saudações!!

Algumas pessoas que me conhecem podem pensar "nossa, a Paula falando sobre sorrir, sempre foi tão séria..." e eu digo que nessa vida nada nem ninguém é imutável... Além disso, sorrir não nos torna menos preocupados, é só uma maneira de lidar com a vida e com as situações...

=)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Comercial de Margarina



Devia ser bom se a vida fosse como num comercial de margarina... Acordaríamos sempre num dia lindo com o sol brilhando na nossa janela com cortinas brancas. Levantaríamos da cama com lençóis e edredons em tons pastéis e iríamos direto para a cozinha, onde haveria sempre uma mesa bem posta com frutas, leite, suco de laranja, pães, torradas, geléias e dentre outros itens, a margarina. A margarina seria como se fosse o elixir do bom dia...

— Benzinho, me passe as torradas?
— Claro, amorzinho!
— Hummmm essa margarina é uma delícia.
— E o dia vai ser melhor ainda!
— As crianças já se levantaram?
— Sim, estão se trocando para a escola.

Então as crianças, um garotinho de seis anos e uma “mocinha” de oito, desceriam impecáveis com seus uniformes escolares, felizes em direção à mesa da margarina... Tomariam seu café da manhã, dariam um beijo no pai e a mãe os levaria à escola... Não antes de darem ao Rex, o labrador, uma fatia de torrada com margarina (!), ao que Rex agradeceria com muita animação enquanto roeria a torrada besuntada de margarina.

E o resto do dia? Como seria? O pai iria terminar o café e o jornal e iria para o trabalho. Lá ele encontraria os colegas e os cumprimentaria com um “Bom dia!” digno de apresentador de programa dominical...

Depois de deixar as crianças na escola, a mãe iria à casa da amiga, bateriam papo, dariam risadas, e trocariam receitas culinárias que dentre os ingredientes, teria ela, a margarina, essa substância mágica que transforma o dia das pessoas...

Os comerciais de margarina geralmente só mostram a mesa do café da manhã (claro, visto que a margarina não é o tipo de produto que se consome ao longo do dia...rs), até porque de fato, uma vida como a que os vídeos abaixo tentam mostrar chega a ser desumana...rs Pessoas perfeitas, família SEMPRE unida à mesa, embora fosse bom, não existe. Pelo menos não mais, e se existe é coisa muito, mas muito rara =(

Se realmente a margarina X ou Y tivesse o poder de tornar as famílias mais unidas e as pessoas mais felizes, seria mesmo maravilhoso, mas infelizmente não é assim.

Mas que as crianças dos vídeos são umas gracinhas, isso é verdade!



quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hoje quero defenestrar um desabafo.

Hoje eu quero defenestrar tudo o que me faz mal. Tudo o que direta ou indiretamente me faz ficar parada no tempo, que não me deixa avançar. Sentimentos que eu cultivei mas que por qualquer motivo que eu ainda não compreendi, não foram vividos. Quero defenestrar os pensamentos que me atormentam, as dúvidas que me atordoam, as imagens do que não aconteceu e que não acontecerá. Quero defenestrar esta vontade do que é impossível, do que é irrealizável. Quero que tudo isso escape das minhas mãos para a janela do infinito, do lugar dos sonhos perdidos. Quero defenestrar a dor que eu senti e que ainda não foi curada senão com mais dor. Quero defenestrar as ilusões que eu criei e que tive de apagar. Quero esquecer todo o sofrimento que passei por algo que não existia, a não ser aqui dentro. Atiro pela janela agora este desabafo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sexta-feira

Ela estava com pressa. Bolsa pesada, cadernos, agenda e jornal em uma das mãos, na outra uma garrafa d’água. Os cabelos despenteados não chegavam a dar aparência de descuido. Relógio no pulso. Ainda faltavam 30 minutos para o início da aula. Precisava imprimir um trabalho.

Ele estava cansado. Já estava trabalhando algumas horas além do que devia, sem pausa para descanso. Trabalhar o dia inteiro numa sala cheia de computadores era algo realmente fatigante, mas ainda assim aquela era uma boa oportunidade de trabalho, já que como estudante do período diurno, dificilmente conseguiria um emprego melhor.

Ela dirigiu-se então à sala de informática, onde poderia acessar seu e-mail e fazer a impressão. Após esperar por alguns minutos, até que um computador ficasse vago, tentou em vão abrir seu pen drive, que por algum motivo (sobrenatural?) era impedido pelo computador de mostrar o seu conteúdo. Ela então pediu ajuda ao monitor que estava no computador ao lado e, solícito, parecia estar esperando por tal pedido. Auxiliou no que foi preciso, dando-lhe explicações sobre o porque da resistência do computador em exibir o conteúdo do pen drive. Ela então enviou o arquivo para a impressora.

Ao final da impressão foi até o equipamento retirar o material impresso. Eis que o monitor, voltado para a impressora, aguardava com os papéis nas mãos. Ela, que havia notado desde o início a ternura que vinha dos olhos dele, perguntou se havia ocorrido algum problema na impressão. Ele, educado, disse que não, que apenas olhava o documento (que parecia ter despertado algum interesse no rapaz). Perguntou se ela havia extraído aquele material da internet, e a olhava com uns olhos suaves, quase afetuosos. Ela respondeu com olhos igualmente suaves, dizendo que o documento já estava salvo no pen drive.

A conversa muito breve não tinha sentido, senão por aquela leve e agradável troca de olhares.
Poucos segundos que para ambos ajudaram a amenizar o desgaste sofrido ao longo daquela tensa sexta-feira nublada.