Era uma tremedeira, era uma sede.
Era um caminhar apressado, uma curiosidade.
Era uma vontade que não terminava.
Uma infinita paixão que se sabia, no fundo, finita.
Nunca era junto, era sempre só.
Era sempre de um lado apenas.
Era sem resposta completa.
Era com muito silêncio e sem nenhuma explicação.
Era com muita interrogação,
E com muito interesse.
Era com muita dedicação.
Era com reticências.
Era sempre um desejo calmo.
Era sempre uma determinação boa.
Era algo concreto, porém desacreditado.
Era de verdade, mas não era regado.
Era.
Era.
Será que, finalmente,
Era?
segunda-feira, 31 de março de 2008
Era-se
quinta-feira, 27 de março de 2008
Save you - Pearl Jam
I'm gonna save you fucker, not gonna lose you
I'm feeling cocky and strong, can't let you go
Too important to me, and too important to us
We'd be lost without you
I'm there, let yourself fall,
I'm right below you now
And fuck me if i say something
You don't want to hear, from me
And fuck me if you only hear
What you wanna hear, from me, if i care
But i'm not leaving here
You helped me when i was down,
I'll help when you're down
Why are you hitting yourself?
C'mon and hit me instead
Let's pick up your will,
It's grown fat and lazy
It's sympathetic as well,
Don't go on me now
And i'm not living this life without you,
I'm selfish and clear
And you're not leaving here without me,
I don't wanna be without...
My best friend
Wake up to see you could have it all
Whoa!
Cuz there is but you,
And something within you
Has taken control,
Let's beat it
Get up, let's go
Oh, you're in your own world,
Let's see the whole world!
Let's pick up your soul
And fuck me if i say something
You don't wanna hear from me
And fuck me if you only hear
The tremble in your head
Please help me to help you
Help yourself!
Help me help yourself
Help me, please want me to
Please let me to, help you...
quarta-feira, 26 de março de 2008
Anotações de meia-noite
Não se pode dizer que não houve tentativas. Houve várias. Algumas com resultado, a maioria sem. Se não se pode dizer que estes resultados foram plenos, ao menos fizeram com que a alegria de alguns momentos parecesse a própria felicidade, mesmo que ela terminasse dali a dois dias, quando uma nova tentativa voltava sem resultado.
A imprevisibilidade é algo que encanta, mas que ao mesmo tempo amedronta, porque depois de um tempo ela pode aparentar ser previsível: se uma coisa que não se previa acontece algumas vezes, sempre a despeito das nossas expectativas, passaremos a imaginar que estes imprevistos ocorrerão nas próximas ocasiões, sendo assim previsíveis. E aí vem o medo da nova tentativa.
A persistência é algo que maltrata mas que também, contraditoriamente, ajuda. Se insistimos em algo até que tenhamos a certeza de que é bom ou ruim, é porque não nos conformamos com algo que nos atordoa. Persistir, resistir, insistir... por mais que possa ser maçante, é uma forma de quebrar barreiras e chegar até onde se possa, até que sintamos que "aqui é o limite". Em que pese as possibilidades de se ''quebrar a cara'', ao menos sabe-se que tudo quanto se pôde fazer, foi feito.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Rosa - Origami 2

Depois do tsuru, chegou a vez de aprender como se faz uma rosa em origami. O modelo é esse da foto, mas as minhas não ficam tão bonitas assim, talvez por causa do tipo de papel ou talvez pela falta de prática. Se bem que essa última hipótese está sendo descartada, já que desde que aprendi a fazer, qualquer pedaço de papel vira um quadrado que eu pego e transformo em rosa...rs Já virou realmente um vício.
Bom, mas como nem tudo na vida são rosas, essa semana as dobraduras estão suspensas e agora eu tenho que me desdobrar para colocar em dia as leituras da faculdade que nessa semana de Páscoa acabaram sendo deixadas em segundo plano... =P
De resto, tudo está caminhando tranqüilamente. Às vezes a gente faz umas bobagenzinhas achando que vamos ter algum retorno, mas não dá em nada. Depois a gente pondera um pouco e percebe que há coisas pelas quais não vale a pena ficar insistindo, o negócio é deixar na mão do destino, se é que há mesmo destino...
Enquanto isso, outras coisas acontecem naturalmente e nos fazem acreditar na real possibilidade de que não estamos fadados ao pior que a vida pode oferecer. Do que se conclui que o melhor da vida é viver um dia por vez e aproveitar o presente, sem preocupações, sem planejar demais, sem ficar encanado com o passado nem com o futuro. (Embora isso não seja tão fácil de praticar, vale a tentativa)
segunda-feira, 17 de março de 2008
Tsuru - Origami

Semana passada aprendi com meus queridos colegas de estágio como se faz o origami de tsuru!! O tsuru (grou) é uma ave que freqüenta as lagoas ao norte da ilha de Hokkaido, no Japão. Dizem que os tsurus vivem mil anos, por isso o origami simboliza longevidade, sorte, paz e felicidade.
Há uma lenda que diz que se você fizer mil destes origamis desejando alcançar algo, ao final das dobraduras, vc consegue realizar o desejo. Bom, não sei se funciona... pelo menos é uma boa distração! Mas se dobrar mil tsurus é coisa demais, pelo menos pode-se fazer um e oferecê-lo a alguém como forma de desejar boa sorte. =)
Quer aprender também? Dá uma olhada neste vídeo (a música de fundo é esquisita, mas dá pra ver direitinho como se faz a dobradura): http://www.youtube.com/watch?v=MGpEFzsqkng&feature=related
domingo, 16 de março de 2008
Essa velha que não morre...

Sai ano, entra ano, ela se esconde, depois volta, mas nunca morre. Aparece quando é menos conveniente, sem o menor motivo para tal. E estraga dias, tardes ou noites que poderiam ser tão agradáveis. Simplesmente ela vem e leva embora as falas, deixa sorrisos sem-graça e frases pipocando na cabeça numa desordem tamanha que impossibilita a saída. Gestos curtos, respostas curtas, silêncios longos. Depois ela deixa pra trás a sensação ruim de que tudo poderia ter sido melhor. O pior é saber que ela nunca vai morrer. Talvez ela se torne mais maleável, talvez possa-se negociar com ela, abrandá-la. Mas ela é difícil, não cede tão fácil =/ Talvez o remédio seja tentar enganá-la. Ou dar uma rasteira nela e deixar que ela pelo menos fique de cama, fraca e doente. Talvez fosse uma forma d'ela aparecer menos.
Só se precisa saber o momento certo de atacar, de antecipar-se à ela... a velha timidez.
sábado, 15 de março de 2008
Manutenção

De uns tempos pra cá este blog anda meio musical... é que a música preenche espaço quando faltam as palavras, e elas têm me faltado bastante ultimamente, então lá vou eu falar um pouquinho da minha vida, já que tb estou sem sono por enquanto...
Esse ano tá sendo bastante agitado, o que é bom. O problema é só aquele velho problema de adaptação: sair de uma zona de conforto e começar coisas novas é algo que sempre me deixa duplamente mexida. Se por um lado me sinto contente e animada com a mudança, por outro lado vem a insegurança, "será que vai dar certo?" "será que vou conseguir?"... perguntas que a gente faz mas já sabendo que só o tempo é que vai responder.
Mas uma das coisas que anima é que em meio a tantas sensações, inseguranças e medos, há momentos que são como oásis, pessoas ou fatos que durante alguns instantes nos proporcionam alegria, sei lá, faz a gente acreditar que as coisas estão/serão menos difíceis do que parecem.
Não sei como terminar esse post. Acho que agora o sono tá chegando. Bom, vou procurar me dedicar melhor a este blog, coitado. Mas por enquanto vou ficar só nisso por hoje.
(Embora o post seja curto, na verdade levei muitos minutos entre a tela de edição de postagem e outras janelas da internet e do msn... enfim, coisas que se faz quando se está sem sono e na frente do computador... :P)
PS: O título do post talvez não tenha mesmo sentido. =)
sexta-feira, 14 de março de 2008
sábado, 1 de março de 2008
Flor de capim

Toda vez que avistava uma daquelas flores amarelas de pétalas finas – até quase feias, se comparadas a outras flores – sentia saudades de sua infância. Naquele dia dirigia-se ao trabalho, era uma manhã cinza quando de dentro do ônibus viu no chão do parque algumas daquelas flores tão simples, tão amarelas, que dentre o verde do capim reluziam lembranças tão pueris. Recordava de quando, junto às outras crianças, colhia pequenos maços das tais flores entre uma e outra pausa nas brincadeiras de correr. Naquele tempo os dias passavam em outro ritmo e o contato com flores, capins, tatuzinhos e pequenos caracóis de jardim faziam parte da rotina. Lembrava-se de como era boa a sensação de não ter preocupação, a não ser a de como aproveitar o tempo de lazer da forma mais proveitosa (embora esta sensação não fosse de fato sentida, já que crianças nem pensam sobre isso).
Mas todas essas pensações haviam durado apenas poucos minutos, que foi o tempo em que o ônibus encontrava-se parado pelo sinal vermelho, no caminho de casa para a estação de trem, onde disputaria um lugar num vagão até seu destino, até sua rotina adulta, até seu trabalho. E as lembranças trazidas pela flor de capim eram agora substituídas pelas imagens do futuro que os trilhos do trem a faziam imaginar enquanto aguardava na estação.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Ferreira Gullar - Verão
Homenagem ao final de fevereiro =D
Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração
deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar
A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida
Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer,
E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.
O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida
Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.
E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda agoniza
resiste mordendo o chão.
Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
É essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.
Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.
Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração
deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar
A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida
Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer,
E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.
O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida
Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.
E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda agoniza
resiste mordendo o chão.
Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
É essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.
Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Rebelion (Lies) - The Arcade Fire
.
Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.
People say that you’ll die
faster than without water.
But we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.
People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live our misbehavior.
Every time you close your eyes
Lies, Lies!
People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.
Come on hide your lovers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.
Hidin’ from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.
People say that you’ll die
faster than without water,
but we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.
Scare your son, scare your daughter.
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon it’s alright (Lies!)
But every time you close your eyes. (Lies!)
Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.
People say that you’ll die
faster than without water.
But we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.
People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live our misbehavior.
Every time you close your eyes
Lies, Lies!
People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.
Come on hide your lovers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.
Hidin’ from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.
People say that you’ll die
faster than without water,
but we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.
Scare your son, scare your daughter.
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon it’s alright (Lies!)
But every time you close your eyes. (Lies!)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Sessão auto-ajuda: Superação

A vida é cheia de desafios, isso é fato. E as pessoas se dividem basicamente entre aquelas que conseguem superar estes desafios e as que não conseguem. Dentre as que conseguem superar há aquelas que têm "sorte" e aquelas que se esforçam.
Dentre as que não conseguem, há aquelas que tentam e há aquelas que desistem. As que desistem se subdividem entre as que têm medo e as que têm preguiça.
As que têm medo podem tê-lo devido a experiências anteriores negativas ou podem tê-lo sem fundamento. Estas que têm medos sem fundamentos sofrem por algo que simplesmente nem sabem se existe. Com o medo não conseguem se esforçar para tentar superar desafios. E tendem a se tornarem pessoas apáticas.
A apatia é pior que a tristeza, porque uma pessoa apática sequer se entristece. Não se entristece, não se alegra. Não fala, não pensa direito. Não coloca planos em prática, aliás, muitas vezes nem faz planos.
A pessoa apática e com medos sem fundamentos precisa buscar dentro de si mesma forças para se levantar. Mas ninguém se torna uma pessoa apática por vontade, por isso, a vontade também não é tão eficiente no processo reverso. Ainda assim, muito se fala sobre a força de vontade, a força do pensamento, das palavras...
Os livros de auto-ajuda são vendidos aos milhões. No entanto, são detestados (ou pelo menos não são apreciados) por muita gente (eu me incluo nisso). Por quê? Acredito que seja porque eles dizem coisas óbvias e redundantes demais. Mas aí é que está: os livros de auto-ajuda vendem muito, isso é incontestável. Logo, isto se deve ao fato de que aquelas pessoas com medos infundados, as pessoas apáticas, não são capazes de enxergar coisas óbvias! Por isso várias destas pessoas recorrem à ajuda destes livros, para verem algo que não conseguem enxergar sozinhas.
Eu não sou psicóloga. Mas sou uma pessoa com medos infundados, por isso me propus escrever sobre isso. Felizmente acredito que ainda não tenha chegado ao extremo da apatia e pretendo não precisar recorrer aos tais livros (nem a psicólogos)... Tudo isso que escrevi não passa de pensamentos soltos de uma pessoa meio às voltas com a realidade que está vivendo, uma fase de mudanças e de grandes desafios.
Pretendo deixar de estar no grupo das pessoas que desistem por medo e passar para o grupo das que se esforçam. E pra isso vou procurar usar a auto-ajuda no sentido mais estrito da palavra: aquela ajuda que vem de dentro da gente mesmo, sem precisar recorrer a ajuda externa. É nessa força que eu acredito: a da superação.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
20 de fevereiro
Leve como leve pluma
Muito leve, leve pousa
Muito leve, leve pousa
Ah, simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma
Sombra silêncio ou espuma
Nuvem azul
Que arrefece
Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Que em mim amadurece
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
pOVO - De Renata Martins
A gente se sente como uma pesca viva amassada dentro de uma condução, seja ela ônibus, metrô ou mesmo lotação.Dizem que a gente se acostuma. Não acho, não creio que a gente se acostume. Acho que... é, acho que a gente realmente se acostuma, sinto que nós nos calamos, engolimos a seco como a farinha do almoço, o silêncio sem sucesso que corta a garganta na ânsia de se libertar.
A gente se sente palhaço, acreditando há anos nas promessas dos governantes, nos descontos dos feirantes, nas doze vezes sem juros, no aumento de salário há muito esperado, na promoção sonhada, com o sapo encantado, com o muito obrigado. A gente nem precisa de espelho para ver que o nariz continua cada vez mais vermelho. No andar apressado, vejo que não existe somente um palhaço.
A gente se sente tão só neste mundão lotado, parece que nossas idéias, nossos ideais são somente brilhantes para nós mesmos, parece que somente o nosso sol nasce à leste, parece que somos todos surdos, mudos, cegos. Se não somos, fazemos questão de tapar os ouvidos, a boca e os olhos e nos fingimos de rocha sem sentimentos, apenas com sedimentos, sem sentidos, sem...
Não choramos mais, não notamos mais as perdas, vivemos em bandos isolados preocupados somente com o nosso próprio bem estar, nos tornamos criaturas unitárias, unilaterais, unicoração, unipensamentos, unisentimentos.
A gente vive à noite e dorme de dia, vive o dia e não dorme à noite, perde a noção do tempo, nos bares a noite ganha sentido, corremos sem direção, falamos mas não indagamos, não perguntamos mais porquê.
Não sonhamos tão mais, não acreditamos mais, não sorrimos mais, não agradecemos mais, não sentimos mais, brigamos com nós mesmos, não libertamos nosso coração, brigamos com a vontade e sobrepomos à ela a verdade. Porém a verdade da conveniência, a verdade que a sociedade acredita ser verdade. Nossos sonhos não acordaram ainda, não somos... nunca fomos ou fomos? Fomos.
Porém, o que um dia fomos se foi e não conseguimos colocar nada no lugar. Nos tornamos massa sem peso, somos garrafas sem líquido, somos a continuação do teclado, somos peça que tem uma certa vida no carro, somos o carro.
Nos tornamos a sociedade que Gepeto desenhou, nosso nariz não pára de crescer, mentimos para este, mentimos para aquele, mentimos todos os dias para nós mesmos... Ah... mentimos para nós mesmos...
Nos maltratamos, nos sufocamos, nos mutilamos a cada dia. Somos juízes dos outros, somos o dedo que em riste acusa. Somos a semente que não vingou, somos a gema do ovo que não nasceu.
Mas éramos o grito dos injustiçados, tínhamos sonhos, tínhamos propósitos, éramos a lágrima que caía dos olhos de um irmão torturado, éramos o sonho da revolução, éramos a república instaurada, éramos o direito adquirido, éramos a passeata, a greve generalizada, éramos a indignação, éramos o não, éramos a CLT, éramos as Diretas Já, éramos a vitória de setenta, éramos o fim da ditadura, éramos a Tropicália, éramos o Cinema Novo, éramos a Semana de Arte Moderna, éramos a Bossa Nova, éramos... éramos?
Éramos a História que hoje é contada, éramos o povo. Agora não somos mais, não mais...
Renata Martins é uma pessoa fantástica que infelizmente não vejo há um tempão... Ela faz faculdade de cinema e escreve textos muito bons como este.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Importante-banal
Exercia função importante: era guardião de um bem precioso. Protegia de intempéries que com freqüência tentavam alcançar e prejudicar este bem. Como era guardião, seu local de trabalho era o lado de fora. Assim, permanecia sempre ali em seu lugar. Ao lado de seus colegas de função desempenhava louvável trabalho. Se não se pudesse dizer que eram imbatíveis, ao menos eram esmerados. Vento e poeira eram barrados com eficácia.
Porém, como é passível de ocorrer com qualquer equipe de trabalhadores dedicados, alguma vez algum deles cansava-se e curvava-se, perdendo assim seu posto e automaticamente sendo desligado de suas funções. Outras vezes algum outro, por curiosidade, voltava-se para dentro a fim de ver como era, a despeito dos demais colegas, sempre firmes em posição de guarda. Em raras vezes algum outro era tão ousado que chegava a de fato invadir o lado de dentro (!), causando enorme desconforto àquele a quem guardavam, tendo que ser retirado à força, por meio de intervenção externa.
Mas casos isolados, como estes, não desabonam esta equipe que, desde há muitos milhares de anos trabalham em prol da proteção. São chamados de cílios oculares.

Porém, como é passível de ocorrer com qualquer equipe de trabalhadores dedicados, alguma vez algum deles cansava-se e curvava-se, perdendo assim seu posto e automaticamente sendo desligado de suas funções. Outras vezes algum outro, por curiosidade, voltava-se para dentro a fim de ver como era, a despeito dos demais colegas, sempre firmes em posição de guarda. Em raras vezes algum outro era tão ousado que chegava a de fato invadir o lado de dentro (!), causando enorme desconforto àquele a quem guardavam, tendo que ser retirado à força, por meio de intervenção externa.
Mas casos isolados, como estes, não desabonam esta equipe que, desde há muitos milhares de anos trabalham em prol da proteção. São chamados de cílios oculares.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Pitada de surrealismo

Gato listrado com sabão roxo. Caiu no plaftplum forrado de lemistomantes tomates azuis que cantarolavam pesados teares de espuma de sabão. Na noite clara e nevada do verão xadrez que veste um colossal televisor prateado com sonoros azeites de caramelo azedo. Espalhou-se sobre a calma da senhora verde com quadros alegres sob os pés de mãos. Nada tinha a dever aquela imagem aos sonhos irreais que irrefreados pulavam das teclas de seu computador de plástico. Como fosse o gato um gato que latia, só poderia ser ele listrado. Fosse xadrez seria um gato que urra. E estes não andavam com sabões roxos. A senhora miava que não podia ser verdade. Que nada havia com nome lemistomante, mas plaftplum havia. Sumiu no ar como nuvem que explode. Era verde porque miava. Se uivasse seria vermelha. O gato entrou no muro de barro que tinha uma cauda de pavão de bolinhas. Sumiu listrado dentro do muro com o sabão roxo. Foram inventados numa folha sem cor, sem pauta, sem mãos e sem portas. Foram inventados e exterminados, como coisa que se escreve e depois desmancha.
Quadro do espanhol José Manuel Merello, que faz arte expressionista e surrealista em belíssimos quadros.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Alguém é melhor?
Tenho escutado bastante a música "Eu sou melhor que você", do Banzé. Fala sobre o quanto algumas pessoas são tão pequenas quando se acham maiores do que são... Que muitas vezes as pessoas fazem imagens de si que não são verdadeiras. Que muitas vezes as pessoas se acham mais do que realmente são... Que se acham mais importantes, que se acham melhores que as outras. Mas no final, o que estão fazendo é pedindo atenção. Achando-se melhores, mais importantes, estão pedindo "olhem pra mim, por favor, vejam, eu tenho qualidades".
Triste saber que por trás de uma exuberante mulher ou de um homem bonitão estão pessoas sozinhas, seres humanos normais e comuns, que como todos precisam ter outras pessoas por perto e, talvez inconscientemente ou não, apelam pro orgulho e sobem num pedestal imaginário, exigindo reverência ou pelo menos querendo ser referência.
Eu penso que ninguém é melhor que ninguém, todo mundo tem suas qualidades e seus defeitos. Seria um saco se houvesse pessoas perfeitas. Ainda bem que não há.
"Eu sou melhor do que você... mas por favor, fique comigo, que eu não tenho mais ninguém"
Bom, melhor do que eu ficar falando, prefiro que vc escute a música e dê sua opinião ;)
Triste saber que por trás de uma exuberante mulher ou de um homem bonitão estão pessoas sozinhas, seres humanos normais e comuns, que como todos precisam ter outras pessoas por perto e, talvez inconscientemente ou não, apelam pro orgulho e sobem num pedestal imaginário, exigindo reverência ou pelo menos querendo ser referência.
Eu penso que ninguém é melhor que ninguém, todo mundo tem suas qualidades e seus defeitos. Seria um saco se houvesse pessoas perfeitas. Ainda bem que não há.
"Eu sou melhor do que você... mas por favor, fique comigo, que eu não tenho mais ninguém"
Bom, melhor do que eu ficar falando, prefiro que vc escute a música e dê sua opinião ;)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Sem lugar

Cheguei na porta de um mundo que não é o meu. Ameacei entrar, achei mesmo que fosse fácil, que houvesse um corredor que ligasse o meu mundo a este outro, mas não há, pelo menos não está visível. Algo me impede, porém, de voltar pra casa. É como se de alguma forma eu não coubesse mais naquele lugar de onde vim. Mas ainda não pertenço a este novo lugar. Então começo a rever o caminho percorrido, tentando encontrar alguma explicação. Percebo que andei na contramão de coisas que eu mesma acreditava serem reais. Coisas que pareciam ser a solução de um monte de problemas... na verdade elas não resolvem todos os problemas. Elas me fazem pensar em outros tipos de problemas e quem sabe, em problemas muito maiores. O fato é que não dá mais pra voltar para o mundo de onde vim. Não seria bem vista por lá... mas ainda não sou bem vista neste, também. Sou simplesmente uma mutante, cheia de diferenças tanto lá, quanto aqui.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Indicação =)

Nossa, tô emocionada!! Acabei de ir visitar o blog da Jéssica, o Devaneios Bobos e me surpreendi ao ver o "Defenestrações" indicado para o selo Blog Cabeça... êÊeeee!!! Na verdade não acho que o Defenestrações seja um blog cabeça :P, então além de emocionada fiquei meio sem jeito também...rs mas já que a Jéssica (que escreve muito bem, por sinal) tá dizendo...hehehe
"É gostoso ler os textos da Paula! Tão bem feitos, tão cheios de significados, e como todo bom autor, ela aguça a imaginação do leitor (a rima não foi proposital!)"
Então meus cinco indicados são os seguintes:
Clube do Camba, da Mari
Confessionário, do César
Espada do Templário, do Otávio
Mundo de Dentro, da Melissa
Nasci na época errada, da Gisele
Estes com certeza são blogs-cabeça!
Obrigada, Jéssica!!
=)
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
ai... ui...

Não sei de onde veio esse golpe que me acertou bem no estômago. No coração ficaria muito piegas, mas na verdade foi lá no coração mesmo que me acertou. E na verdade eu sei de onde veio. Veio de um vazio que foi preenchido por ilusão. E foi um golpe certeiro mesmo. Daqueles que a gente se sente zonzo, sem rumo. Mas depois a dor passa. Passa só que a gente não esquece. Mas a lembrança do golpe faz a gente ver as imagens em câmera lenta, e percebemos que só fomos atingidos pelo golpe porque demos brecha em algum momento. E é esse momento que identificamos, depois de um tempo. Assim, conseguimos nos prevenir numa próxima ocasião em que venha um outro golpe. E virá.
Esquivar ou revidar, eis duas alternativas.
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