sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

mensagem de quem já viveu bastante para quem ainda viveu pouco

"Se tivesse tempo para dizer, te contaria dos caminhos pelos quais passei e das pessoas que conheci. Se eu pudesse te faria um colar onde cada uma das contas traria um pedaço dos gostos que provei nos lugares em que estive. Se fosse possível te desenharia uma paisagem que reunisse entre céu e chão tudo o que de mais belo existe e que você ainda não pôde ver.
Tudo o que pudesse fazer para que pudesse te mostrar o quanto de belo há neste mundo que, miseravelmente, lhe tentam deturpar a imagem, infringindo direitos, faltando a deveres, tomando o que não pertence, derrubando o que é vivo, multiplicando o que é desnecessário...
Se pudesse te contaria sobre tudo o que aprendi e também tentaria te explicar sobre as coisas que ainda não entendo, para que você pudesse viver de outro modo, que não este em que até agora temos aceitado viver. Mas tudo isso não posso fazer. Também não posso te negar o gosto da dificuldade, nem regar teus pés com o caldo fresco da facilidade. Posso só te dizer que vá e que pelos teus próprios pés descubra que caminhos, que lugares, que gostos, que paisagens, que imagens há para conhecer e guardar aí em você e caberá somente a você decidir o que fazer com tudo isto."

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ab'Saber

"Ninguém escolhe o lugar, o ventre e a condição socioeconômica para nascer. [...] é preciso que os homens, independentemente do seu berço, saibam que todas as pessoas são uma herança fundamental da vida inteligente na face da Terra, eu diria, da vida que Deus colocou na face da Terra."

Aziz Nacib Ab'Saber, no programa Provocações da TV Cultura, em 21/11/2002.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

desinsônia

Nossa! Eu finalmente estou com sono.
Nada como a volta ao trabalho!

=)

Mas também nem tudo são flores.
As coisas não estão 100% boas.
Mas espero que melhorem em breve, pra todo mundo.


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

às vezes

Algumas vezes eu queria estar perto de você:

umas vezes pra te fazer carinho
e te falar baixinho
se tá tudo bem;

outras vezes pra te xingar bem alto,
pra fazer o diabo,
te tacar o sapato.

Também tem vezes que eu queria ficar longe
e te esquecer assim,
como que por um "plim"

assim como quem esquece
o que comeu no jantar
quem estava ontem no bar

ou o ônibus que tem que pegar.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

exceções

Quando as coisas se estabelecem baseadas em exceções, é muito mais difícil se adaptar às regras.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009

Vem aí um ano novinho em folha. (E junto com ele, uma nova gramática)

2008 foi um ano bem bom, mas tomara que que 2009 seja ainda melhor =)


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

a quatro mãos

Loucura consciente é out
Loucura consciente é um paradoxo
Loucura consciente é um paradigma
E porque não dizer, um cataclisma?


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

delírio?

acho que estou padecendo de um mal que há séculos atinge a humaninade: estou ficando louca.
tudo começa com a curiosidade, você começa fazendo perguntas, das quais muitas ficam sem resposta. quando você percebe não está mais conseguindo dormir, porque começa a se questionar sobre qual é o sentido da vida, por que a humanidade está como está, por que há deus para uns e para outros não, será que deus existe mesmo, será que a melhor é a católica ou a protestante, será que o melhor mesmo é ser simplesmente cristão, será que a melhor é a umbanda ou o espiritismo, será que o budismo, o hinduísmo, será que tem alguma coisa depois que a gente perde os sentidos e morre. as questões sobre religiosidade, sobre deus, sobre morte, estão intimamente relacionadas com as questões sobre o que rege esse universo, que forças são tão capazes de fazer com que a gente simplesmente viva todo dia sem quase parar para pensar no que é que nos dá vida, o que nos diferencia uns dos outros, o que faz brotar a individualidade de cada ser humano. será que temos destinos já traçados, será que nós escrevemos nossa própria sorte, será que a gente tá mesmo no mundo, será que eu não sou você.
será que eu tô ficando louca?

(texto candidado a ser deletado em breve)

domingo, 28 de dezembro de 2008

José Saramago

"(...)
Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.
(...)"

(pequeno trecho do texto "Este mundo da injustiça globalizada", lido no Fórum Social Mundial de 2002)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Voar...


Ele adora a sensação do vento nos cabelos, no rosto e até a leve falta de ar, causada pela velocidade. Gosta de planar e ver tudo movendo ao redor. Toda vez que tem a possibilidade de voar, nem que seja por poucos segundos, sempre o faz com gosto, pois não é o tempo todo que isso acontece, já que não nasceu na classe das aves e, portanto, não possui asas...

Na verdade ele não escolhe os momentos de vôo, estando sujeito à vontade alheia. Não se tem certeza se de fato ele gostaria de ter nascido com asas, afinal um bebê ainda não sabe se expressar verbalmente, talvez não saiba nem o que gostaria de ser... Mas a expressão de alegria em seu rosto durante os curtos rasantes é contagiosa!

Ele nunca falou sobre se gosta mesmo de voar, mas os que o vêem podem aferir isto facilmente, pelos risos que se soltam de seu rosto e os olhinhos que se arregalam curiosos.

Aos seis meses de idade, ele “voa” nos braços dos mais velhos e com sua risada enche de satisfação estes que tanto apreciam fazê-lo feliz e que tentam, como podem, tranqüilizá-lo em seus momentos de “dificuldade”, como quando a mamadeira atrasa alguns minutos ou quando os brinquedos lhe caem das mãos – que ainda não apresentam total destreza para procurá-los e pegá-los de volta quando estão longe.

Ele gosta de voar, mas talvez quando crescer não se lembre mais disto. Provavelmente não se lembrará de como disputávamos para ver quem o faria dormir, quem daria mamadeira, quem o pegaria no colo quando estivesse manhoso ou quando acordasse assustado de seus cochilos.

Ter um bebê em casa é uma experiência transformadora. E eu, apenas na posição de tia, me sinto também responsável pelo desenvolvimento dele; me sinto preocupada com o mundo no qual ele nasceu, vai crescer e se tornar adulto. Imagine o pai e a mãe...

Penso que trazer alguém para o mundo é algo muito difícil, porém mágico. Não me atrevo a dizer que “ser mãe é padecer no paraíso” ou qualquer outro clichê, afinal até agora só estou para titia...rs. Mas é que desses seis meses que tenho acompanhado minha irmã e meu sobrinho, pude perceber que a experiência de ter um filho é uma das coisas mais revolucionárias para um ser humano.

Provavelmente quando for adulto, ele não se lembre de quando era um bebê, mas nós lembraremos. E acho importante que ele cresça sabendo que sempre teve muita gente ao redor dele disputando seus sorrisos, seus pulinhos, suas palavras que não entendemos. E que conforme for crescendo, ele saiba que as pessoas não são todas iguais, não têm sempre as mesmas chances, assim como não têm as condições todas iguais, mas nem por isso são menos ou mais importantes.

Espero que quando ele crescer, consiga voar mais alto do que nós o fizemos, para que possa alcançar, junto com os outros da geração dele, aquilo que até agora não conseguimos. Que ele faça parte de um mundo melhor e que ele atue na construção e manutenção dele. Espero que ele tenha sempre estes olhos curiosos que tem hoje. E que alce vôos cada vez mais altos. Ele parece mesmo gostar.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

sonhando


hoje eu queria estar numa savana onde os bichos são de pelúcia ou movidos à pilha. não queria ter dores de cabeça pensando no que virá na semana que vem. queria estar mergulhada numa piscina de água de cor rosa-choque e tomando suco de dentro de um abacaxi. eu queria ter uma armadura que permitisse destruir tanques de guerra. queria não ter que usar despertador pra não perder a hora. queria que o sol fosse um girassol e que as nuvens tivessem escadas. eu queria transformar sonhos em realidade e não ter que ficar na fila do banco. eu queria não ser tão boba.




sábado, 25 de outubro de 2008

Troca de cara

Mudei o "leiaute" do blog. Mudar às vezes faz bem um pouco, mesmo que só na aparência...
Ando meio desanimada pra escrever e a correria tem me impedido de aparecer com freqüência por aqui e pelos outros blogs que gosto =/
É que por aqui tem sido constante parecer bom quando se escreve e uma bosta quando se lê.
Mas não desisti, quando tiver algo publicável (não significa exatamente bom...rs) defenestrarei por esta janela =D

Hoje de manhã fiz isso:


É bom dobrar papel e ver no que dá. =)

domingo, 14 de setembro de 2008

às 18:00...


Passam muros coloridos, muros cinzas, muros com cartazes. Pessoas com bolsas, pessoas com casacos. Diferentes imagens: de pressa, de calma, de prece, de alma. A hora do rush, a happy hour, a hora da Ave Maria, a hora do fim do expediente, do fim de mais um dia, a hora-limite entre duas rotinas, hora do caminho de volta pra casa, do caminho pro estudo ou do caminho pra ‘balada’, a hora em que o corpo acorda e sai do piloto-automático, a hora de ser um pouco mais nós mesmos, depois de ser o dia inteiro, só funcionário.

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Foto: do Google, hora do rush em Tokio... mas também podia ser São Paulo, Nova York, Londres...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

giving up

"Eu desisti. Sim, desisti de coisas que me atravancavam a vida.
Desisti de fingir querer comprar a roupa da moda.
Desisti de achar que queria pintar o cabelo de vermelho.
Desisti de me forçar a acreditar que uma roupa da moda e o cabelo vermelho significariam um passaporte para a renovação.
Desisti de tentar descobrir o que se passa na cabeça das pessoas, de modo a analisar meus atos a partir do ponto de vista que têm em relação a mim.
Desisti de procurar ser sempre agradável.
Desisti de encanar com toda e qualquer ação minha, com medo do depois.
De procurar achar o que não existe.
Eu desisti com dificuldade, porque parecia que desistir de certas coisas era como um ato de irresponsabilidade adolescente. Afinal eu sempre tive uma idéia de que o altruísmo implicaria no auto-esquecimento, a humildade, na auto-colocação para baixo... enfim, confusões grosseiras que empataram minha vida durante tanto tempo.
E depois que eu abstraí as auto-cobranças, as neuras, as bobeiras que rondavam a minha cabeça, comecei a me sentir melhor, mais leve. A princípio dá uma sensação de desonestidade, de estarmos traindo nossas convicções, de faltar com a palavra dada a nós mesmos, afinal é uma mudança de paradigma, você passa a não se preocupar com coisas que até então eram fundamentais para o seu modo de vida. Mas quando você lembra que tudo isso te causava mal estar e te tirava a tranqüilidade e te fazia sofrer, vc vai convicto.
E vc desiste de tudo isso, tudo isso que era dispensável, tudo isso que era no fundo, muito exagerado, tudo de que vc não precisava, na verdade."



Ela lia isto como se repetindo a leitura, automaticamente estivesse pondo em prática aquilo tudo que havia sido escrito num momento em que a alma estava apertada, maior que o corpo, como se quisesse escapar de algo que a prendia. No fundo sabia que nada seria posto em prática de fato, mas lembrar ter tido um momento em que pôde refletir sobre sua condição e possibilidades de mudança, a animava de alguma forma.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

primavera


A verdade é que quase tudo agora me cansa.
É como se tudo que tá pra acontecer fosse velho, já sabido.

Parece com um algo que veio e passou
Levando embora toda a cor, toda a graça.

Eu não sei nem se eu mudei,
ou se as coisas mudaram,
ou se eu só acordei.

Talvez nem isso, nem aquilo, nem aquele.

Talvez só bode, e tudo volte.
Talvez pra sempre, desde agora.
Ou então, sei lá: vamos ver no que dá.

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sábado, 16 de agosto de 2008

anotação

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As coisas ruins são tão contagiosas quanto as boas.
É tudo uma questão de vacina.
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domingo, 10 de agosto de 2008

Poxa, vida...


Um dia a gente acaba tendo que encarar e aceitar que as coisas nem sempre são como gostaríamos ou imaginávamos, ou duram menos do que a gente previa, ou são interrompidas, quando estávamos no auge do aproveitamento. E embora pareça, isso não é conformismo, porque muitas vezes há resistência, há a tentativa de que as coisas não mudem, de que não sejamos retirados da nossa zona de conforto. Mas nem sempre resulta como gostaríamos: as coisas realmente mudam.

Um dia a gente percebe que não importa o quanto se tente, certas coisas não acontecem mesmo e isso não é por incompetência, mas talvez porque não era pra ser.

Uma hora a gente aprende que embora as coisas não sejam permanentes, não quer dizer que não tenham sido sinceras, verdadeiras e intensas e que se elas tornam-se esporádicas, nem sempre é por vontade, mas pelas circunstâncias e o desenrolar louco da vida, vida que vira e mexe altera até mesmo as mais monótonas das rotinas, afastando amigos queridos, diminuindo a freqüência dos contatos, fazendo com que o tempo passe incrivelmente rápido a ponto de nos espantarmos ao ver que já faz muitos meses que não se envia um e-mail, não dá um telefonema, não responde mensagem.

A gente acaba percebendo que algumas amizades, embora sejam deliciosas, não conseguimos manter sempre por perto, e isso não deveria nos tornar canalhas, já que nem sempre o afastamento depende da nossa vontade.

Imagino que se fosse possível, muita gente preferiria viver para sempre no mesmo círculo de convivência, mas a vida nos obriga a ir tomando outros rumos, e outras pessoas chegam, enquanto outras acabam se afastando. Mas isso não significa que nos esquecemos daquelas que a vida afastou da gente, muito menos que fosse uma amizade falsa. Há casos em que não importa quanto tempo passe, ao reencontrar essas amizades que se afastaram, tudo é tão natural que é como se o tempo não tivesse passado. Isso pra mim é um indicativo de que é de verdade, mesmo que não haja um contato constante.

Eu agradeço à vida por ter as pessoas que tenho como amigos. Talvez alguns não tenham idéia do quanto são importantes para mim e talvez eu nunca consiga demonstrar isso. É difícil quando a gente não consegue fazer tudo o que gostaria, quando o tempo passa rápido à nossa revelia. É difícil quando acontecem desencontros, ou quando não dá pra conversar direito porque alguém tá muito ocupado. É difícil não ficar triste de saudade quando ela aperta. Mas é bom saber e lembrar dos momentos bons, das risadas, das besteiras, das conversas...


Me angustia não saber mais como escrever ou dizer. Me angustia saber que nem todos os meus amigos vão ler isto. Talvez alguns achem isso de uma pieguice sem tamanho... Mas o que importa é que todos saibam que mesmo de longe, cada amigo que fiz continua sendo extremamente importante na minha vida.