Lago Titicaca, rumo à Isla de la Luna - Bolívia, 2024
Três anos depois da última publicação e senti vontade de voltar aqui para mais uma vez deixar um registro de quem sou e o que penso no momento. Soa totalmente clichê e é, mas preciso dizer que eu não sou a mesma, porque passar pelas dores que passei fez com que eu aprendesse sobre mim mesma (bato cabeça em muitas situações... afinal, nós humanos vivemos em permanente construção) e principalmente, entender que nada acontece diferente do que tem que ser, apesar dos nossos quereres. Seria uma crença em destino? Preciso pensar melhor sobre isso, mas sim, eu acredito que tudo acontece como tem que ser.
Perdi, mas também ganhei (alou, Dilma!). Vivi e senti, me permiti. Errei, tentei, busquei. Falei, calei, fiz. Eu gosto de pensar no que foi bom de tudo que vivi, no quanto me senti bem e no quanto pude proporcionar bem. E gosto de pensar no que dá pra aprender com o que aconteceu. Sim, mais um clichê. A gente sempre pode aprender. Mas também podemos sentir raiva, chorar, protestar, mesmo que as coisas não mudem, podemos nos revoltar e nos posicionar. E depois da revolta, da tristeza, respirar mais um pouco e seguir sem pressa, do melhor jeito que dá.
Passar por experiências difíceis nos coloca em contato com feridas internas que tendemos a deixar protegidas, e aí elas inflamam e ardem... e a vontade que dá é de largar tudo, sair correndo pedindo colo, pedindo socorro, mas somos nós mesmos que lidamos com nossas dores. No máximo teremos sim colo e socorro, porém não há caminho para fora da dor a não ser passando por ela (um aprendizado dos últimos anos). Apoio emocional é muito importante, mas a gente não consegue fugir das nossas dores: ou as sentimos e cuidamos até que elas se curem deixando uma cicatriz ou nos anestesiamos para não sentir, mas aí elas permanecem ali inflamadas, sujeitas a qualquer mínimo triscar, podendo causar um enorme estrondo em alguém que simplesmente chegue perto dessa ferida. Entendo que o caminho é não ignorar, mas ficarmos craques nas nossas feridas, só assim poderemos entender o que as faz inflamar e como aliviá-las quando acontece de doerem.
Enfim, comecei falando que não sou a mesma, mas de certa forma ainda sou a mesma em essência da que escreveu aqui três anos atrás. Ainda sou a mesma que acredita e busca, e isso me alegra. As coisas estão como precisam ser nesse momento e estou bem com como elas estão caminhando. Tudo a seu tempo e a vida vai seguindo, e eu me ajeitando nela e ajeitando ela em mim. Sem pressa e com carinho (mais um aprendizado dos últimos anos).