segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Por que é tão difícil dizer não?


Não é fácil entender as razões que levam pessoas a fugirem de dizer não a alguém. Talvez o que possa explicar isso seja a sensação ruim de ouvir a palavra e, em sinal de altruísmo (ou seria egoísmo?), se evite causar na outra pessoa o que não se quer para si.

Fato é que um "não" pode até ser difícil de ouvir, mas ao menos ele finaliza questões. Antes dele ser dito, muita coisa fica em suspenso, à espera de definição, pode tanto ser como não ser, o que frequentemente gera muita expectativa e, inclusive, dores de estômago.

Também tem as vezes em que o "não" não é dito justamente porque se tem o interesse em manter a questão em aberto, como um plano B, caso a primeira opção não dê certo. O que em geral beira à sacanagem.

Há aquelas pessoas que são dotadas de um faro, um sensor, que são capazes de notar pelos gestos e atitudes os "nãos" subjetivos. Considero pessoas sábias ou de sorte, grupo do qual não faço parte. Nunca fui boa com jogos de mímica, com expressões corporais e faciais, eu preciso de clareza nas informações que me chegam (e não estou dizendo com isso, que eu mesma tenha facilidade em dizer não! mas tento).

Em tempos de relações líquidas, dizer as coisas de maneira clara e direta parece cada vez mais raro, chegando muitas vezes a soar como pura antipatia ou maldade. Tempos difíceis esses em que se vive de imagens rasas a respeito das pessoas e seus sentimentos, sem abertura para mergulhos profundos, sem possibilidade de errar, de se machucar... coisas que fazem parte da vida, do desenvolvimento humano, mas que em nome de um falso conforto vão sendo evitadas...

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Anotação aleatória


Parece bem óbvio, mas vou escrever mesmo assim: as redes sociais têm um baita potencial enganador... e as pessoas se deixam levar facilmente por não se atentarem a detalhes (óbvio de novo: eu também sou uma pessoa!)

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Foto: eu, na Grécia, só que não.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Dançar com palavras


Tirolesa na serra de São Pedro/SP


Eu queria saber dançar com as palavras
Tiraria algumas delas para dançar agora
E numa ciranda eu teceria coreografias
Que contariam
Do amor e da dor de se viver

domingo, 28 de maio de 2017

Cansaço

Vista da Pedra do Baú - São Bento do Sapucaí/SP, junho/2015

Não é algo que aconteceu de repente, é algo que vem acontecendo de forma contínua, progredindo aos poucos e culminando num cansaço terrível. Cansaço de quê? De ver que praticamente tudo permanece sempre igual, numa mesmice chata, que varia na forma às vezes, mas que é sempre a mesma mesmice. As pessoas, os lugares, as palavras, os sons, tudo. Não existem culpados, não existem salvadores, não há antídoto, nem há prevenção. Acho que faz parte da vida. A gente simplesmente começa a ver que as coisas não vão mudar, a menos que a gente mude.

sábado, 20 de maio de 2017

Adeus, Chris Cornell

A morte do Chris Cornell me abalou muito. Nem sei direito explicar, o que sei é que tive um grande baque quando li na minha timeline do facebook que ele havia morrido. Não acreditei e fui logo buscar o nome dele no google, na esperança de que nada aparecesse, mas vieram vários links dando a mesma informação: "morreu aos 52 anos o cantor Chris Cornell".

Eu não conseguia acreditar e chorei. Cerca de cinco meses atrás eu estava a poucos metros dele assistindo o show mais lindo que já vi... aquela voz potente, aquele carisma, se apagaram. Isso me deixou muito triste e eu chorei. Era como estar perdendo um amigo... pode soar ridículo para quem ler isso, mas foi como senti. Embora seja um artista que nunca soube da minha existência, eu aprecio suas músicas, suas letras, e por muito tempo elas fizeram e fazem ainda parte de momentos da minha vida, por isso a sensação de proximidade e a sensação de perda.

Quando voltei do trabalho li outras notícias sobre sua morte, haviam confirmado na autópsia que ele se suicidou. E foi outro baque. Como? Por quê? O suicídio emudece, nos deixa sem reação, é pesado, difícil pensar no que leva alguém a tirar a própria vida. Ainda mais quando se olha para a pessoa e se conclui que ela aparentemente era feliz... eis o engano... felicidade não significa aparência. Jamais saberemos o que se passa no exato momento, se a pessoa é movida por coragem ou por medo extremo, ou simplesmente por não mais sentir qualquer coisa que a motive a continuar nesse mundo.

E pensar nesse mundo, nesse momento, nessa época em que vivemos também nos ajuda a entender talvez um pouco do que remotamente possa ser um dos porquês, é um mundo cada vez mais difícil de entender, de participar, um mundo cheio de desigualdade, cheio de misérias (humanas, morais, econômicas entre tantas outras misérias) que muitas vezes nos pode mesmo levar a pensar "qual é o sentido?" ou mesmo "então viver é isso, só isso?!".




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

. cadê?

Por onde anda um olhar que eu tinha quando as coisas sem sentido eram apenas coisas sem sentido, para as quais eu não fazia questão de explicação;
Quando conseguia olhar com brilho para coisas tão simples quanto desapercebidas;
E quando era capaz de acreditar e reinventar o caminho pra continuar prosseguindo... 
Por onde anda meu olhar de poesia?

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sábado, 1 de outubro de 2016

o ciclo vicioso da insegurança

É uma insegurança muito segura. Eu tenho certeza de que sempre vou fracassar, que vou sempre deixar a desejar,  sempre ficar aquém do esperado.
Essa certeza me sabota e me faz ficar parada, por fazer parecer que qualquer esforço não vale a pena, que é melhor não fazer (o que precisa ser feito).
Aí quando fica em cima da hora, não dá pra fugir – a responsabilidade chama. E com menos tempo e com a tensão da pressa, a certeza do fracasso, aquela inicial, tende a se confirmar, o que garante o repeteco da sequência em situações seguintes.

[23/07/11 1:40AM]

sábado, 27 de agosto de 2016

um outro mundo é possível...

Cada vez mais tenho visto estas ideias se propagando, ainda bem.
Há um loooongo caminho, mas talvez estejamos dando os primeiros passos para fora dessa lógica maluca de consumir, extrair, se apertar de todo jeito, viver para trabalhar e ser feliz só quando dá tempo... utopias são pra gente continuar seguindo um caminho que acredita, mesmo que nunca cheguemos ao destino... não sou tão boba assim, sei que o capitalismo não vai morrer, ao menos não tão cedo, e também nem sei exatamente o que poderia substituí-lo. Mas penso que uma possível mudança nessa coisa toda começa pela microescala, no nosso entorno, na nossa rotina... trocar um produto industrializado por um artesanal, ir a pé quando dá, ao invés de ligar o carro, pegar emprestado ao invés de comprar algo só para usar poucas vezes... não sei, acho que sou sim tão boba. Tudo bem!

http://gnt.globo.com/programas/papo-de-segunda/videos/4676004.htm

terça-feira, 21 de junho de 2016

sentido?

Itirapina/SP - 2007

talvez o sentido da vida seja buscar algum sentido nela... tudo está por se fazer, tudo está por ser descoberto... não somos seres acabados... enquanto seres humanos estamos sempre aprendendo... sempre aprendendo na relação com os outros. é no outro que podemos ver quem somos, pelos nossos sentimentos, pelas nossas reações. vamos nos construindo e reconstruindo a cada experiência... acredito que o sentido da vida é isso, é aprender e se perguntar sempre sem nunca terminar de responder e definir...

breque

Antes de qualquer ação vem sempre - sempre! - uma voz muda que só eu ouço e me diz pra ir com calma, pra ter cautela, ir devagar, que talvez não seja o momento certo. Às vezes eu finjo que não escuto. Mas em geral obedeço.

segunda-feira, 28 de março de 2016

terça-feira, 1 de março de 2016

(in)sensibilidade - anotação sobre um fato cotidiano

Fonte da imagem: Clarín

É possível que com o passar do tempo eu tenha me tornado sensível demais a certos tipos de reações ou que talvez me falte maturidade emocional pra lidar com essas situações... 

Mas também é totalmente possível que essas reações tenham sido mesmo agressivas demais.

O fato é que estar diante de uma situação em que nos sentimos injustiçados ou vitimizados é uma oportunidade de observarmos a forma como agimos com os outros: será que eu também já reagi dessa forma com alguém? Outro fato: a forma mais eficaz de ensinar é por meio do exemplo e da ação. Adultos não podem querer que as crianças aprendam a respeitar o outro e a zelar pelo bom convívio, se os próprios adultos não são capazes de fazê-lo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Pensaduras

Pensando sobre falta de água, saúde e educação; sobre empresas que têm mais direitos do que os seres humanos; sobre seres humanos que têm mais direitos do que outros seres humanos e do que as demais espécies que compartilham o planeta; sobre preconceitos e intolerâncias que culminam em guerras, violações de direitos, segregações; sobre estouro de barragem de rejeitos de mineração; sobre atentados terroristas e cobertura da mídia a respeito dos diversos fatos; sobre desigualdades sociais que se perpetuam; sobre tentativas frustradas de promover a paz mundial; sobre os pequenos atos que significam grandes coisas; sobre acreditar que as coisas precisam mudar; sobre a necessidade de não deixar de acreditar e sobre a dificuldade de vislumbrar um caminho viável...

Fico aqui matutando com as palavras do geógrafo Milton Santos, citado num vídeo que acabo de assistir: "Na verdade nunca houve humanidade... Nós estamos fazendo os ensaios do que será a humanidade... Nunca houve."

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

hi.po.cri.si.a


Talvez seja divertido ter uma posição social confortável e tirar sarro do próprio país sempre ridicularizando as pessoas que não gozam da mesma sorte, fingindo estar atingido por algo que ouve falar mas que nem sabe ao certo do que se trata, porque mal sabe o preço do quilo de carne que come diariamente. Mas embora seja talvez divertido, é uma atitude lamentável.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

aprendizados

Dentre as muitas coisas que a educação pública tem me ensinado, creio que a mais forte e talvez a mais triste, é ter certeza de que não será tão cedo que o mundo será um lugar justo. E ainda há quem acredite que tudo depende somente do esforço individual. Quem é que escolhe onde nasce? Quem abre mão das comodidades que já tem? Quem e como garantirá as mesmas oportunidades para todos?
Ninguém.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Pesquisa por amostragem?

Tô aqui pensando sobre pesquisas de opinião, seu grau de representatividade, seu impacto na formação de opiniões a depender de como os dados são divulgados...

População da cidade de São Paulo: 11,25 milhões (2010, IBGE)
Número de entrevistados em pesquisa Datafolha sobre redução da maioridade penal: 600 (seiscentos)
Porcentagem de paulistanos entrevistados favoráveis à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos: 93%
(http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2013/04/1264396-93-defendem-reducao-da-maioridade-penal.shtml)

Aí o jornal publica: "Dado que uma das funções do Direito é manter a coesão social, e dado que, segundo o Datafolha, 93% dos cidadãos apoiam a redução da maioridade penal, deve-se dar resposta a essa SÓLIDA MAIORIA".
(http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/06/1642123-amadurecer-o-debate.shtml)

E então eu fico bem cabreira com a forma como as coisas são ditas pelos grandes veículos de comunicação e como uma pequena parcela de pessoas entrevistadas ao acaso pode (ou não) influenciar o rumo das coisas.

Isso é um exemplo, não quero dizer se tá certo ou errado ser a favor ou contra qualquer coisa. No que tô pensando é em como as informações são "meticulosamente" apresentadas...

=/

terça-feira, 4 de agosto de 2015

escola?

Um dos grandes fracassos humanos é extinguir ou mesmo reduzir ou limitar o diálogo, principalmente em ambientes onde ele é imprescindível ao fim que se almeja... educação. .

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Mayday



Sensação de estar dentro de um navio que está afundando, devagar, aos poucos. Querendo sair, mas sabendo que estar dentro do navio ainda é a única garantia de ficar vivo e que sair dele é se arriscar num oceano incerto, cheio de possibilidades boas e ruins... nesse oceano pode-se encontrar uma ilha ou ser encontrado por tubarões, ou simplesmente pode-se morrer afogado ou ficar boiando eternamente sem rumo. Mas o navio está afundando e é preciso decidir o que fazer...