Saiu andando rapidamente. Lágrimas discretas escorriam de seus olhos enquanto deixava para trás um rastro de firmeza, de certeza. Para trás ficaram também aquelas pessoas que a olhavam: alguns com pena, outros admirados, outros assustados. Nenhum deles sabia de verdade o que tinha acabado de acontecer, ou talvez até soubessem.
Um noivado de aparências que já durava seis anos aos trancos e barrancos e que estando ruído por dentro, não resistiu à descoberta de um fato concreto que colocaria finalmente um ponto final a uma história esvaziada de sentido, de paixão, de verdades.
Ela era uma mulher que com seus vinte e seis anos ainda não tinha certeza do que queria para sua vida, mas sabia exatamente o que não queria... clichê típico de mulheres cuja personalidade ainda está em formação, mas que não a tornava menos interessante.
Ele era um cara tipicamente imaturo aos vinte e nove anos. O pedido de casamento foi feito mediante uma cena tão romântica quanto piegas em que houve até posição de joelhos e lágrimas nos olhos – dela. Amor construído na faculdade, quando ambos tinham as mesmas fantasias de um futuro fantástico com viagens de exploração pelo novo continente, filhos feitos entre fronteiras dos mais diversos países, e um espírito de luta.
Seis anos depois tudo aquilo foi virando pó à medida em que as horas passavam e os dois cada vez mais se viam caminhando por direções desencontradas... ela já não sorria mais ao atender os telefonemas dele. Ele já não lhe abria mais a porta do carro.
Nunca chegaram a sair do país juntos, portanto também nunca fizeram filhos em qualquer lugar do mundo. O espírito de luta havia esvaído-se aos poucos, quando a cada semana viam o arrefecer daqueles ideais que antes pareciam-lhes tão possíveis.
Por mais que se tentasse remediar, não dava mais. Tudo havia chegado ao limite. Não havia mais como continuarem vivendo juntas duas almas tão diferentes.
Ele fora flagrado com outra, por ela.
O flagrante nem significava muito por aquilo que era, mas pelo que poderia proporcionar. O final de um relacionamento longo e decadente. Sem que tivesse que levar em conta os protocolos sociais que o fim daquela relação custaria. Famílias que se haviam ficado tão satisfeitas pela união, já dada como eterna, de repente viam tal reação incisiva vinda da jovem e doce que sempre fora tão compreensiva.
Mas tratava-se de uma questão de sobrevivência, de dignidade. E o fim - afinal - aconteceu.
sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Do entusiasmo pela magia recém descoberta
Falava sobre teatro de bonecos e tinha um grande entusiasmo. Acreditava no que dizia, baseado nas falas das crianças com as quais lidava ocasionalmente. Transmitia uma sensação de tranquilidade. De seus olhos brotavam um cenário colorido com cheiro de infância e fantasia, sem a tormenta das preocupações rotineiras...
Estava eu no ponto do ônibus circular da Cidade Universitária, quando chegou este senhor alto, barbas brancas, boina e olhos muito azuis e me perguntou se o circular costumava demorar... Ninguém nunca sabe e eu também não sabia. Ele então comentou que havia saído de sua casa, em Sorocaba, às 4:15 da manhã e havia chegado na universidade somente àquela hora – eram 8:10. Falou sobre o trajeto que o ônibus faz e também falou sobre a existência de vans clandestinas que, embora mais baratas, não garantem a mesma tranquilidade que os ônibus oferecem ao custo de 4 reais a mais. Eu então comecei a me interessar pela forma como ele conversava... é sempre agradável escutar os mais velhos. Então perguntei se ele teria aula e ele disse que sim, que ia para uma aula que faz na Escola de Comunicações e Artes. Uma aula do curso sobre teatro de bonecos. E seus olhos começaram a brilhar enquanto me contava sobre algumas peças de teatro de bonecos. O circular nunca passava e eu teria seguido a pé, afinal eram só dois pontos de distância, mas eu estava achando muito bom escutar as histórias que ele relatava com tanta satisfação. Contou detalhes sobre o mestrado que está escrevendo a respeito de como dar vida aos bonecos no teatro. E o brilho nos olhos. Ele disse que tem 74 anos. Fez Engenharia no Uruguai e há uns vinte e cinco largou a carreira porque não se sentia satisfeito. Há cerca de cinco anos começou trabalhar com o teatro de bonecos e não consegue imaginar outra coisa que o deixe mais feliz. O contato com as crianças e a mágica que está presente no teatro de bonecos é algo que ele percebe com apuro e que fazia questão de passar adiante.
Nesse episódio, o que mais me chamou atenção foi o encanto daquele senhor pelo que ele havia descoberto tão recentemente e que parecia ter mudado sua vida, da Engenharia, para o teatro e as crianças... me deu uma sensação de que a cidade precisa de mais pessoas apaixonadas por novas descobertas e que queiram adicionar entusiasmo e cores ao dia alheio.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Sessão abobrinha: despertadores
Demorei para me convencer disso, pois sempre acreditei no contrário: despertadores são amigos. Eles nos salvam do inconveniente de perder compromissos por dispensarmos mais atenção ao sono do que ao estar desperto. É que a forma indelicada com que ele costuma fazer isso acaba causando alguns desgastes emocionais, no entanto, não há uma forma eficiente para acordar alguém cansado, a não ser com um pouco de rispidez, como só os despertadores sabem fazer.
Claro que há vários tipos deste instrumento, desde os mais antigos até os mais modernos, distinguindo-se por tipo de som, tamanho, uso ou não de pilhas etc.
Eu prefiro aqueles bem barulhentos que funcionam à base de corda. É infalível: você dá corda nele diariamente e ele te acorda eficazmente com um sonoro "trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrnnn". O único inconveniente é que ele acaba acordando também os vizinhos mais próximos.
Outra opção é o rádio relógio, que te acorda com (nem sempre) agradáveis melodias. O maior inconveniente deste modelo de despertador é quando durante a noite ocorre queda de energia, o que faz com que o despertar no horário programado não ocorra, dando origem a uma das desculpas verdadeiras mais falsas que conheço: "desculpe, me atrasei porque faltou luz à noite e o despertador não tocou"... Hmm.
Um meio termo entre o alto som do relógio de corda e a vulnerabilidade do rádio relógio e que já está entre os mais utilizados, são aqueles reloginhos quadradinhos de plástico made in China, que funcionam com uma pilha média. O sonzinho é mais ou menos como um "pipipipi pipipipi pipipipi..." que eu acho pouco eficiente... essa cadência sonora ao invés de me despertar costuma embalar mais meu sono, principalmente quando a pilha vai ficando fraca e o barulhinho fica mais lento...
Há também os celulares, mas eu não gosto deles.
Pra dar fim a essa conversa vazia sobre despertadores, aqui vão alguns modelos bem interessantes que encontrei numa dessas passeadas desinteressadas pela rede mundial:

Bem bonitinho, este só para quando você consegue montar o quebra-cabeça. Não dá pra não acordar né?

Este é estilo McGiver, precisa ser desarmado, como uma bomba, pra parar de tocar.

Este sai voando pelo quarto. Você precisa se levantar mesmo pra desligar, não tem aquela história de esticar o braço e voltar a dormir.

Já este é mais violento, para aqueles casos de pessoas extremamente resistentes ao novo dia. Ele chacoalha a pessoa e aí não tem jeito, tem que levantar.

Esse foi o que achei mais interessante: você precisa acertá-lo com um tiro (de laser) para que ele pare de tocar. E quem é que não tem vontade de fazer isso com o despertador de vez em quando?
Por enquanto é só.
Até mais, com mais abobrinhas!
Claro que há vários tipos deste instrumento, desde os mais antigos até os mais modernos, distinguindo-se por tipo de som, tamanho, uso ou não de pilhas etc.
Eu prefiro aqueles bem barulhentos que funcionam à base de corda. É infalível: você dá corda nele diariamente e ele te acorda eficazmente com um sonoro "trrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrnnn". O único inconveniente é que ele acaba acordando também os vizinhos mais próximos.
Outra opção é o rádio relógio, que te acorda com (nem sempre) agradáveis melodias. O maior inconveniente deste modelo de despertador é quando durante a noite ocorre queda de energia, o que faz com que o despertar no horário programado não ocorra, dando origem a uma das desculpas verdadeiras mais falsas que conheço: "desculpe, me atrasei porque faltou luz à noite e o despertador não tocou"... Hmm.
Um meio termo entre o alto som do relógio de corda e a vulnerabilidade do rádio relógio e que já está entre os mais utilizados, são aqueles reloginhos quadradinhos de plástico made in China, que funcionam com uma pilha média. O sonzinho é mais ou menos como um "pipipipi pipipipi pipipipi..." que eu acho pouco eficiente... essa cadência sonora ao invés de me despertar costuma embalar mais meu sono, principalmente quando a pilha vai ficando fraca e o barulhinho fica mais lento...
Há também os celulares, mas eu não gosto deles.
Pra dar fim a essa conversa vazia sobre despertadores, aqui vão alguns modelos bem interessantes que encontrei numa dessas passeadas desinteressadas pela rede mundial:

Bem bonitinho, este só para quando você consegue montar o quebra-cabeça. Não dá pra não acordar né?

Este é estilo McGiver, precisa ser desarmado, como uma bomba, pra parar de tocar.

Este sai voando pelo quarto. Você precisa se levantar mesmo pra desligar, não tem aquela história de esticar o braço e voltar a dormir.

Já este é mais violento, para aqueles casos de pessoas extremamente resistentes ao novo dia. Ele chacoalha a pessoa e aí não tem jeito, tem que levantar.

Esse foi o que achei mais interessante: você precisa acertá-lo com um tiro (de laser) para que ele pare de tocar. E quem é que não tem vontade de fazer isso com o despertador de vez em quando?
Por enquanto é só.
Até mais, com mais abobrinhas!
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Teste portuga (de alguns minutos de tédio)
.
Você é Regresso Ao Futuro::
A sua vida é uma confusão que até você tem dificuldade em compreender. Raramente sabe a quantas anda, mas é dotado por um espírito de desenrasque notável
Pergunto: que significa "desenrasque"?
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Você é Regresso Ao Futuro::
A sua vida é uma confusão que até você tem dificuldade em compreender. Raramente sabe a quantas anda, mas é dotado por um espírito de desenrasque notável
Pergunto: que significa "desenrasque"?
sábado, 10 de outubro de 2009
ortografia
Creio que seja a falta do acento o que me faz tê-las tão mais fracas.
.
.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Mais Saramago
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Assim sem mais
"Por que é que eu não consigo viver
Feito os demais?
Entre álbuns de famílias
Bens, trens
Mobília e paz
Por que é que eu preciso partir
Assim sem mais?
Quem me dirá?
Por quê?
Por que é que eu não consigo viver
Feito os demais?"
Feito os demais?
Entre álbuns de famílias
Bens, trens
Mobília e paz
Por que é que eu preciso partir
Assim sem mais?
Quem me dirá?
Por quê?
Por que é que eu não consigo viver
Feito os demais?"
João Bosco/Antonio Cícero/ Wally Salomão
domingo, 30 de agosto de 2009
autopiedade
“este dia é incompatível com o que estou sentindo por dentro
faz sol quando aqui dentro tá tudo escuro
as pessoas riem enquanto eu não vejo a menor graça
tomam coca-cola enquanto eu tomo dipirona”
— abismada, como se o mundo fosse dela.
faz sol quando aqui dentro tá tudo escuro
as pessoas riem enquanto eu não vejo a menor graça
tomam coca-cola enquanto eu tomo dipirona”
— abismada, como se o mundo fosse dela.
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