terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Arrumações e lembrações

Ontem foi um dia de arrumação de gavetas e armário. Dentre moedas de 0,05 e 0,10 centavos que totalizaram 1,30 (um achado providencial!), encontrei muitas lembranças saudosíssimas. Sou daquelas pessoas que guardam coisas, muitas. Souvenirs do passado abundam nas minhas gavetas, prateleiras e caixas. Simplesmente não consigo me desfazer. Quem guardaria as velas do 16º aniversário? Eu, pra lembrar da festa surpresa que ganhei feita com a compactuação de tantos amigos que há tanto tempo não vejo mais, no mesmo ano em que entrei para o meu primeiro emprego de carteira assinada. Também guardo lembranças dos ex-namorados, fotografias, cartões de aniversário que ganhei de amigos, bichinhos e bonequinhos de bisquit, de pelúcia, e até a engrenagem de uma caixinha de música. Tudo guardado, cada coisa uma lembrança.
Vivo muito com a cabeça no passado e no futuro, é por isso que o presente passa quase sem que eu perceba. É incrível, pra não dizer irônico, como o tempo passou escandalosamente rápido nos últimos anos. Eu não consigo acreditar que estou às portas dos 26. Não vivi todos esses anos. Isso me angustia, mas outra hora eu falo disso. Ou nem.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Bloqueio mental e autocensura

No labirinto de letras empilhadas mora um texto que ainda não foi escrito. Palavras que ora se juntam, ora se afastam pertubam a mente de quem dedilha o teclado e folheia livros procurando o fio que ordenará parágrafos numa estrutura coesa. O escuro que ronda o caminho das palavras até as linhas do papel atrapalha o montar das peças e quando enfim estas se agrupam, dão um resultado semelhante a torres mal construídas, prestes a cair ao primeiro dos sopros que sempre acompanham os comentários argüidores. Encontrar o fio que aprumará estes emaranhados não tem sido fácil, neste escuro. Mas a busca é incessante e certamente haverá resultados, só não se sabe se positivos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010



"Quando muita gente fica ridícula,

começa parecer normal"



[ouvi num filme do qual não lembro mais o nome]

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

oasis

Perdendo

Na vida a gente passa quase o tempo todo aprendendo. Mesmo sem perceber aprendemos a respirar, a andar, a falar, a contar... e aprendemos aos poucos coisas mais complexas que em muitos casos não paramos nunca de aprendê-las. Vamos tentando sempre saber a forma exata de falar o que pensamos, de expressar o que sentimos, de desenhar uma casa que imaginamos, de descrever um pôr de sol, de cantar uma melodia, mas quase sempre conseguimos resultados aquém do desejado. Mas estamos sempre aprendendo...

Chega um tempo em que passamos a aprender coisas difíceis, às quais muitas vezes resistimos. As regras de acentuação, orações subordinadas, matrizes transpostas, polinômios, química orgânica, certas coisas nunca chegamos a aprender, como a melhor maneira de dizer adeus, ou qual o melhor lugar pra se contar as estrelas.

Na vida a gente passa o tempo todo perdendo. Mesmo sem perceber estamos sempre a perder meias, a perder moedas, a perder a prática, a perder prazos. Vamos tentando sempre saber uma forma de não mais perder as coisas, e inventamos porta moeda, guarda-roupa, sapateira, porta-treco, gaveta, agenda. Mas estamos sempre perdendo...

Chega um tempo em que passamos a perder coisas valiosas, as quais não recuperaremos jamais. Perder amizades, perder o amor, perder o sabor de fazer alguém sorrir.

Dificilmente se aprende a perder. Perder é um dos aprendizados mais difíceis ao ser humano, porque tudo que se perde leva consigo um pedaço de quem perde. E não se aprende a perder pedaços. Não sem dor.

Na vida a gente passa quase o tempo todo aprendendo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Defenestrações, por Mari Migliacci

Atiro-me, desgarrada, infame, desprotegida. Atiro-me aos braços do amigo, do inimigo, do sorriso, da lágrima. Atiro-me ao riso, à dor, ao sofrimento. De olhos fechados, prendendo a respiração, atiro-me para frente. Meus pés desgrudam-se lentamente da superfície gélida. Atiro-me ao infinito, liberto-me do insuportável, desagradável, do desconforto, do desaconchego. Atiro-me à liberdade, à esperança, ao sonho. Atiro meus textos em páginas em branco. Minhas idéias desconexas e confusas ao acaso. Minhas histórias pela janela. Defenestro-me, e assim o faço com minhas elucubrações, minhas paixões, meus desejos.

Amo esta gatíssima mana Mari Migliacci. Linda que conheci na época do vestibular e nunca mais quis largar. Infelizmente neste ano pouco nos vimos... mas nos prometemos nos encontrar com mais frequência em 2010. Que assim seja!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

mediocridade

gosto do meio. é nele que os extremos colidem e a ambiguidade governa implacavelmente.

[john updike]

. imaturidade

Havia um tempo em que eu sentia que eu não estava vivendo, que eu precisava de mais. De mais o quê? Era isso que eu achava que sabia, mas de fato não sabia. Achava que precisava sair mais, ver mais gente, ler mais, ver mais filmes cult, ver os filmes que "todo mundo via", conhecer as bandas que "todo mundo ouvia", ter mais amigos no circuito da Augusta e adjacências, viver mais intensamente, talvez. Talvez viajar pra longe. Como se com isso minha vida fosse ser mais feliz. Hoje eu vejo que embora eu ainda queira muitas dessas coisas - não mais todas - me parece que não vai ser isso que vai mudar minha vida. Na verdade já entendi que a vida da gente não muda assim. Não com isso. Mas muda quando a gente começa a fazer diferença pra alguém, quando outra pessoa coloca na gente certas expectativas que a gente aflige corresponder - e nem sempre consegue. A vida da gente muda quando a gente se percebe como de certa forma responsável pelo que pode acontecer a outra pessoa. Quando a gente percebe que somos nós mesmos que temos de fazer o que é preciso fazer para que algo aconteça, sem esperar que façam por nós. Quando começamos a amadurecer. E isso acontece vivendo, sem dúvida - e errando também. Mas como se vive depende de quem se é, o que por sua vez depende do caminho que se percorreu até hoje, e isso embora não possa ser determinante para o futuro, determina muito do que somos. Assim, mesmo que nunca tenha tido o costume de sair muito ou que não tenha uma bagagem cultural da qual se diga "minha nossa, quanta cultura", sei que vivi coisas que outras pessoas não viveram. Sei de coisas que outras pessoas não sabem, vi coisas que outras pessoas não viram, conheço lugares a que outros não foram. Tenho minhas próprias preferências, minhas próprias referências, minha própria história. Por isso já me sinto feliz por ter passado da fase de ficar esperando que um toque mágico do céu me transformasse numa pessoa "interessante, descolada, chocante e bacana". Hoje espero que a vida faça mais sentido, sim, mas à medida em que eu aprenda a lidar com as situações por mim mesma, e não querendo agir de uma forma que supostamete seja ideal. Tô bem atrasada com isso, mas ok. Nesses casos, melhor tarde que nunca.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Da visita ao Pequeno Príncipe


"Para os que viajam, as estrelas são guias"

sábado, 28 de novembro de 2009

Quem sabe

Talvez eu só precise colher tulipas numa plantação gigante na Holanda.
Ou quem sabe pegar um carro e me dirigir sem rumo por uma auto-estrada novinha em folha.
Pode ser que seja divertido correr atrás de crianças fingindo ser um bicho papão.
Ou anotar num papel de pão o endereço de alguma liquidação.
Talvez não se precise muito pra ser feliz, assim como muita gente é feliz com uma barraca de raspadinha, com um brinco de pedrinha, ou com um churrasco na laje, ao invés de um diploma da universidade.