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Sentava-se sozinho num dos bancos da praça próxima à sua casa. Costumava passar muitos minutos e às vezes até horas ali, sozinho. Olhava os transeuntes, mas não os via completamente. Buscava a si mesmo. Tentava saber onde havia ido parar a parte de si que o faria não mais sentir a necessidade de estar sempre só. Uma necessidade como que obrigatória, se é possível entender. No fundo não queria a solidão, mas necessitava dela. A solidão de certa forma o resguardava da responsabilidade de ser companhia.
Eu preciso de inspiração para manter esse blog. Também preciso de inspiração para pensar no meu trabalho de conclusão da graduação. Seria bom se viesse inspiração também para resolver algumas pendências da vida. E seria ótimo se a gente pudesse encontrar inspiração nas prateleiras da farmácia ou do supermercado =/
A que se pode atribuir inspiração? De onde ela vem? Não sei, mas ela vem sempre sem avisar. Às vezes dentro do trem, ou no meio da rua... Às vezes vem na hora em que estamos quase pegando no sono, com a cabeça deitada no travesseiro, naquela hora em que todos os pensamentos parecem tentar nos impedir de dormir... E às vezes ela não vem, simplesmente.
Eu preciso de inspiração.
Era uma tremedeira, era uma sede.
Era um caminhar apressado, uma curiosidade.
Era uma vontade que não terminava.
Uma infinita paixão que se sabia, no fundo, finita.
Nunca era junto, era sempre só.
Era sempre de um lado apenas.
Era sem resposta completa.
Era com muito silêncio e sem nenhuma explicação.
Era com muita interrogação,
E com muito interesse.
Era com muita dedicação.
Era com reticências.
Era sempre um desejo calmo.
Era sempre uma determinação boa.
Era algo concreto, porém desacreditado.
Era de verdade, mas não era regado.
Era.
Era.
Será que, finalmente,
Era?